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A rã

A experiência é relativamente simples: numa panela cheia de água coloca-se uma rã que nada tranquilamente. Posteriormente, acende-se o lume no mínimo: a água vai aquecendo muito lentamente. A rã vai-se adaptando à temperatura da água que continua a subir devagar e paulatinamente. A partir de certa altura, a rã começa a ficar cansada, debilitada e não faz nada. A temperatura aumenta sem parar até ao momento em que a rã acaba por cozer e falecer. O objetivo desta experiência é mostrar como qualquer mudança, desde que aconteça de forma muito lenta, é aceite de forma inconsciente, sem que haja grande oposição ou revolta.


Nos últimos trinta anos, o Benfica conquistou muito menos campeonatos e taças de Portugal do que nos 30 anos anteriores. Nos últimos 3 anos ganhámos um campeonato contra um adversário que está intervencionado pela UEFA – os outros dois foram perdidos mais por culpa própria do que por mérito do Porto. Mesmo nas modalidades, e salvo raras exceções como o voleibol, existe algum marasmo. Do ano 2000 para cá o clube cresceu muito, profissionalizou-se, teve alguns resultados desportivos assinaláveis (no futebol e no futsal, entre outros), mas também gerou expetativas: estivemos quase a ganhar títulos europeus no futebol, por exemplo. E, apesar do muito que se fez, o Benfica poderia ter tido melhores resultados do que teve – bastava que tivéssemos sido mais exigentes e competentes.


Há dias, numa rede social, lia um consócio que dizia: “Os benfiquistas agora só exigem vitórias…”. Mas é claro que queremos vitórias, é disso que os clubes vivem. Os benfiquistas têm consciência de que não se pode ganhar sempre, é impossível. Mas mais do que exigir vitórias, queremos que todos (dirigentes, atletas e também os associados) deem o seu melhor. E isso nem sempre tem acontecido. Esse é, neste momento, um dos nossos dramas.


O Benfica é um clube fenomenal. É e será sempre um motivo de orgulho. Mas tem o potencial para ser ainda maior, mais vencedor e incomparável. O Benfica é uma rã que nada num ambiente tranquilo, dominado por relatórios & contas (que são importantes) e por vendas de jogadores; e é um clube que celebra a presença em finais europeias em vez celebrar as suas conquistas (quem fica para a história é quem vence). Saibamos dar ao Benfica, com o contributo de todos, o futuro risonho e vencedor que merece, nem que para isso se tenha de derrubar a panela e assim salvar a rã.


▶ Texto enviado pelo benfiquista Ricardo Cataluna.

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