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Carta Aberta a Luís Filipe Vieira


Caro Presidente


Já há algum tempo atrás que tinha uma palavras presas na minha mente que lhe queria pronunciar. E, apesar de não ser associado do Benfica e consequentemente, nunca ter ido a uma Assembleia Geral, os acontecimentos ocorridos na noite de ontem levaram-me a querer deitar tudo cá para fora.


Antes de mais, devo dizer-lhe que, sinceramente, pouco me importaram as polémicas que foi coleccionando ao longo da sua vida profissional antes de chegar ao Benfica. A mim, o que o fizesse pelo Sport Lisboa e Benfica esteve sempre acima de todas as polémicas extra-Benfica e extra-futebol.


Lembro que quando chegou ao Sport Lisboa e Benfica no ano de 2001, após a pior época da história do clube, a contestação em torno de si já era grande. Mas na altura era muito novo para compreender os motivos. O que eu só acompanhava naquele tempo eram os resultados, que pioravam de ano para ano, numa altura em que ainda não tinhas memórias de ver o Benfica conquistar um título, nem do campeonato de 93/94, nem das Taças de Portugal de 92/93 e de 95/96.


As minhas primeira memórias surgiram nos primeiros anos da sua presidência, com a Taça de Portugal conquistada frente à super equipa do FC Porto (há que o admitir), e o campeonato na época seguinte, que acabaria com um jejum de 11 anos, o maior da história deste grandioso clube.


Lembro-me que na altura, o Sr Presidente disse que o Benfica ainda não estava preparado para construir uma hegemonia no futebol português. E o tempo veio a dar-lhe razão. Muitos adeptos contestam-no por essa hegemonia ter demorado tanto tempo a chegar. Nos dias de hoje, sei que as coisas não eram assim tão simples. Sei que construir uma estrutura sólida e capaz de dominar a nível nacional não é algo que se faz de um ano para o outro. Porque afinal de contas, isto não é o Chelsea FC. O Benfica não foi comprado por um bilionário russo que, para além de ter salvo o clube da falência, ainda injectou rios de dinheiro no clube que lhe permitisse contratar jogadores de classe mundial.


Hoje percebo e reconheço que para si, a prioridade nos primeiros anos da sua presidência foi a recuperação e a reestruturação do clube. E por muitos erros que tenham sido cometidos nesse período, esse também ajudaram o clube a crescer e a chegar onde chegou. Ajudaram a crescer o Benfica e a si também.


Um bom exemplo disso mesmo, foi quando despediu de forma precipitada o treinador Fernando Santos (do qual nunca fui fã), após a primeira jornada do campeonato 2007/2008, com uma equipa ainda em construção; e seis anos depois, após um final de época traumatizante, renovou contrato com Jorge Jesus quando eu era um dos poucos benfiquistas que defendia a sua continuidade.


Sim, eu aprovei a sua decisão nessa altura, porque reconhecia que apesar do pesadelo que foi aquele final de época, havia um processo, havia trabalho e havia qualidade que permitiram ao Benfica chegar às decisões todas. Porque as grandes equipas não são aquelas que ganham sempre, mas sim aquelas que disputam sempre até ao fim.


Esse final de época, bem como a sua decisão em manter o treinador contra a maioria dos adeptos e dos elementos da estrutura foram o início do Tetra, o primeiro da história do Sport Lisboa e Benfica, E só tenho pena que a ambição tenha ficado por aí, mas já toco nesse assunto.