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História de embalar (tentar rir para não chorar)

O ano é 2061. Vítor mora com os pais junto do antigo Estádio da Luz, hoje “Estádio Pneus Evaristo”. Já passa das 21:30 e é hora de ir para a cama. O pai vai com ele.

Pai: Queres que te conte uma história?

Vítor: Sim, pai! Conta-me aquela do Benfica!

P: Do Benfica? Não queres antes dizer Sport Lisbon and Benfike? Abençoada a hora em que o nosso grande presidente Vieira mudou o nome do clube para podermos vender camisolas em barda nos países anglo-saxónicos e em Albufeira…

V: Mas o avô diz que sempre foi Benfica e nunca deixa deixará de ser Sport Lisboa e Benfica…

P: Eu também gosto muito do avô, mas é tempo de olharmos para o futuro! Olha, vou começar a ler esta magnífico livro do Pedro Guerra…

V: Está bem, pai! – diz o Vítor entusiasmado.

P: “Era uma vez um grande clube fundado em 2003. De um terreno sem pedras da calçada…”

V: Oh pai – interrompe o Vítor timidamente – o avô diz que foi fundado em 1904…

P: Ah ah ah! O teu avô é muito engraçado! De vez em quando tem assim umas alucinações e diz que já ganhámos troféus internacionais. Eu bem sabia que aquilo de misturar a medicação com Licor Beirão daria mau resultado… Mas pronto, continuando…. “Desse clube, que nem pedras da calçada tinha, nasceu o primeiro ídolo das massas: Pedro Mantorras!”

V: Oh pai, o avô diz que, antes do Mantorras, houve outras referências: o Julinho, o Eusébio, o Carlos Manuel…

P: O Carlos Manuel? Por amor de Deus, filho! O teu avô não anda bem! Sabes qual era alcunha dele? A Locomotiva do Barreiro! Sabes quanto diesel gasta uma locomotiva? Uma enormidade! Não podemos associar o nosso clube a um meio de transporte que polui tanto, filho! Ainda se fosse o Tesla do Barreiro, pronto… E aquele bigode era um atentado, farfalhudo e à homem! Se queres um craque do Benfica com um bigode como deve ser, tens o grande Svilar – aquele bigode foi desenhado por arquiteto paisagista, digo-te eu… mas pronto, adiante… “Em 2045, o nosso clube ganharia o seu primeiro troféu internacional, a mítica…”

V: Champions? Liga Europa? A Taça Intertoto? – pergunta Vítor, muito entusiasmado. O seu pai fica sério, com o olhar a libertar faíscas…

P: Vítor! O que é que o pai já te disse sobre “aventureirismos e ambições sem sentido”? – o miúdo encolhe-se todo.

V: Desculpa, pai. Podes continuar…

P: Pois, acho que é melhor…. Dizia eu… “Em 2045, o nosso clube ganharia o seu primeiro troféu internacional, a mítica Taça Tang Maracujá, o troféu mais importante do sudeste asiático, derrotando na final o FC Dili por duas bolas a uma.” Ena, filho, o momento mais elevado da nossa história! Foi fantástico! Também foi nesta altura que Sua Majestade, o Grande Presidente Vieira, mudou o símbolo do clube inserindo um chop suey de gambas – vendemos camisolas na Ásia como se não houvesse amanhã!

V: Mas pai, assim o clube não perdeu identidade?

P: Filho, temos de ser realistas! A identidade não paga contas! Não sentes orgulho em teres um cachecol que celebra o mítico relatório & contas de 2029? Quando vendemos o irmão do Félix ao Wolves por uma pipa da massa?

V: Mas pai, o clube assim vai perdendo mística. E porque é que o Vieira ainda é presidente?

P: Porque tem ganho as eleições e descobriu a cura para a imortalidade em Castanheira do Ribatejo.

V: Mas não achas estranho ele ganhar sempre as eleições com 62%? – o pai fica visivelmente incomodado e muda de conversa…

P: Bem, vejo que estás muito agitado e precisas de descansar. Vou ler mais um pouco. “De entre as figuras do Benfica, destaque-se o grande Roberto! O mítico guarda-redes espanhol que tinha…” – Vítor interrompe…

V: Pai, o avô diz que o Roberto era mau. Nesse livro não fala do Coluna? E do Paneira? Ele também se chamava Vítor, como eu!

P: O Paneira, filho? Ahahahahahahah!! Por amor de Deus, o Paneira! Tirando o facto de ter ganho três campeonatos, uma taça de Portugal, uma Supertaça, ter sido um dos jogadores mais influentes e carismáticos da sua geração, o que é que ele fez pelo Benfica? Queres um ídolo? Tens um Mora, por exemplo! – Vítor esta cada vez mais confuso e o pai começa a perder o controlo da sua narrativa.

V: Estou a ficar cansado, pai. É melhor dormir.

P: Tens razão, filho. Descansa. Olha lá, a tua mãe disse que hoje te caiu um dente. Se o meteres debaixo da almofada, pode ser que a Fada das Pedras da Calçada te deixe um presente!

V: Uma pedra da calçada? Só para mim! Uau, isso seria incrível!

P: Pois é filho, uma pedra da calçada só para ti, e assinada pelo grande Ferreyra!

V: Ena! Obrigado, pai!

P: Dorme bem, garotão! – e o pai aconchega Vítor com o edredom do Fernando Aguiar.


▶ Texto enviado pelo benfiquista Ricardo Cataluna.


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