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Não te deixes morrer, Benfica

O que sobra, o que resta deste Benfica amorfo, descaracterizado, sem alma nem rumo? Estas são questões que me atormentam os dias e, sobretudo, as noites. Onde foi que deixámos que o nosso clube se voltasse a perder?


Há um ano, mais concretamente após a derrota no Dragão, a equipa de futebol perdeu o rumo, e a estrutura perdeu o norte.


Primeiro deixou arrastar o timoneiro ao leme de um navio a afundar até que, com o titulo já irremediavelmente perdido, decide deixar o adjunto ao comando de uma embarcação já submersa. Mas ainda havia algo mais a perder. Faltava perder uma Taça de Portugal para o Porto que, mesmo a jogar com menos um elemento a maior parte do tempo, nos consegue ganhar mais um troféu em confronto direto, com relativa facilidade.


E qual é a receita de Vieira? Muito simples. “Não se preocupem, votem em mim porque eu vou inverter no imediato este ciclo de 1 titulo em 3 épocas”. Sim, um titulo em 3 épocas. No mesmo período em que o clube apresenta os melhores resultados financeiros da sua história e o seu maior rival consegue títulos sob condicionalismos financeiros impostos pela UEFA. “Bravo, vamos a isto”, respondem mais de 22 mil sócios do clube, que no dia 28 de outubro de 2020 votaram na continuidade.


Meses depois, o que temos? 100 milhões investidos em contratações. Um capitão vendido à pressa depois de se ter perdido com um colosso do futebol grego, o PAOK. O nosso ex lateral direito titular na Champions luta hoje pela manutenção no Farense. O ex melhor marcador da equipa, e da Liga, luta para jogar uns minutos em Inglaterra. O jogador que foi o maior investimento de sempre de um clube português, um avançado, que luta para conseguir marcar uns golos de quando em vez, de modo a não ficar muito atrás na tabela de goleadores.


E eu, sinto-me enganado. Porque, embora não tenha votado em Luís Filipe Vieira, sinto que não foi isto que ele prometeu ao seu eleitorado. Prometeu ganhar no imediato. Prometeu uma inversão de paradigma. Prometeu a contratação de um treinador que seria, tão-só, a resolução de todos os problemas estruturais do clube e que devolveria a qualidade de jogo à equipa.


Aqui chegados, estamos com 19 jornadas volvidas, mais de uma dezena de pontos perdidos para o líder do campeonato e a 2 pontos do terceiro. Pelo meio, o maior investimento da história, em plena crise pandémica e com a consequente queda abrupta de receitas. Ainda houve tempo para perder mais duas taças, entretanto.


Perante esta catástrofe, qual é o discurso interno? Um treinador que prometeu arrasar os adversários diz-se arrasado pela COVID19, mas que antes dele já tinha perdido 6 pontos consecutivos, com Boavista e Braga, perdendo irremediavelmente um lugar que não mais voltaria a ser seu, o primeiro. Um treinador que quando promete uma retoma, assume que, afinal, algo correu menos bem porque não sabia que horas eram. Por isso Cervi não entrou. É este o Benfica atual. Um Benfica perdido no tempo.


E no espaço, também. Se no campo, o início da época e o falhanço na Champions nos levou o líder, capitão e símbolo do benfiquismo, na tribuna a figura é decorativa. Temos um Presidente que, ora abandona jogos ao intervalo, ora não assina o livro de ponto por falta de comparência.


A crescente ausência de Vieira, que já vem de épocas passadas, é o sinal claro de fim de ciclo de um líder que, há muito sem soluções, se entrincheirou no sem bunker e tem os seus soldados em cobertura.

Sim, amigos, a declaração de guerra civil benfiquista foi subscrita, naquele comunicado estapafúrdio que antecedeu a receção ao Famalicão.

Rui Costa, Pedro Pinto e a restante guarda presidencial apontam, neste momento, os alvos, internos e externos.

Porque a rendição e o reconhecimento do fracasso são princípios que não estão ao alcance de um qualquer combatente.


Não te deixes morrer, Benfica!


▶ Texto enviado pelo benfiquista Gonçalo Mendes.


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