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O epílogo esperado

O desfecho da Taça de Portugal só terá surpreendido os mais desatentos. O Benfica apresentou-se à imagem de toda a temporada – descrente, passivo e com um défice de qualidade gritante a nível colectivo e individual – perdendo de forma justa perante o pior Porto deste milénio.

Consumada a época, é altura de balanços. O panorama é negro, com insucesso em toda a linha: perda do campeonato, com uma segunda volta vergonhosa, derrota na Taça de Portugal, pior prestação de sempre na Taça da Liga e rendimento (mais uma vez) insuficiente nas competições europeias. Olhando para o lado mais estético, o nível roçou praticamente sempre o deplorável!

As justificações para o fracasso abundam, e envolvem praticamente todos os sectores.


A nível diretivo, Luís Filipe Vieira vem de uma série de épocas de abursegamento, aproveitando os feitos passados e as debilidades dos rivais para olhar cada vez mais para o Benfica como um entreposto de negociatas e de caprichos pessoais. Aliás, a escolha de técnicos tremendamente passivos como Rui Vitória e Bruno Lage demonstraram exatamente a vontade em Vieira comandar todo o clube sem grandes pressões técnicas. Foi preciso “a bola não entrar” para o atual presidente encarnado recorrer a quem conhece para lhe tentar salvar a pele, desmascarando qualquer tipo de projeto desportivo do Benfica pós Jorge Jesus . Triste realidade.


Independentemente desta falta de projeto desportivo, Bruno Lage é uma das figuras da temporada pela negativa. Os erros acumularam-se logo na pré-época, com o timoteiro encarnado a desmantelar inexplicavelmente o que estava bem (nomeadamente a dupla Samaris-Gabriel), a ter um aproveitamento despropositado de Raul de Tomas (deu até ideia que não conhecia as características do jogador) e demonstrando uma inércia e incapacidade enorme da equipa em corrigir as lacunas que já perduravam desde a época passada (transição defensiva, qualidade nas bolas paradas, etc.). Ao longo da temporada os problemas foram-se avolumando (a forma como conseguia prejudicar recorrentemente a equipa com as substituições é bem exemplificativo disso), sendo que os discursos patéticos após os insucessos não ajudaram em nada a situação.


Uma das questões dos adeptos prende-se com a disparidade do rendimento pontual na primeira volta para a segunda. Bem, logicamente que o aspeto anímico teve influência, mas os sinais estavam lá todos. O Benfica a nível interno foi-se valendo da mediocridade generalizada do nosso campeonato para ir somando vitórias, com alguma felicidade à mistura. Os sinais logicamente não foram compreendidos por incompetência, culminando numa série de resultados vergonhosos para a História do clube!

Logicamente que os jogadores não ficam isentos de culpas - Ferro foi um dos piores centrais da liga, Seferovic voltou à mediocridade já patenteada e elementos como André Almeida e Pizzi não demonstraram ser propriamente o protótipo de bons capitães, sendo dos primeiros a quebrarem e a esconder-se nas alturas mais delicadas.


Esta época não é para esquecer, bem pelo contrário. O impacto de revitalizar o nosso maior rival atual já é impossível de anular, mas pede-se uma revolução. A resposta tem que ser fortíssima! Um clube que se apregoa na linha da frente do futebol português não pode apresentar Jardel, Nuno Tavares, André Almeida, Cervi, Chiquinho e Seferovic num jogo decisivo. Não envergonhem mais o Benfica!


Texto enviado pelo benfiquista Tiago Martins.

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