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O livre de Chano

O título deste post sintetiza aquilo que o futebol representava para mim enquanto catraio seguidor entusiasta do Benfica.


Contextualizemos: Estamos a falar de uma altura em que o Benfica só era “O Glorioso” para mim porque a minha família dizia (e diz) que sim.“O Glorioso” daquela altura (finais dos anos 90 e inícios de 2000) era uma espécie de ruína do que outrora havia sido uma grande civilização, como as que vemos quando vamos ao Egipto, Grécia ou Itália. Constatamos que aquilo há-de ter sido incrível mas obviamente que não era mais.

Corria a época 2000/2001, aquela em que o Benfica terminou num fantástico 6º lugar e comemorou sete épocas de jejum de campeonatos! Lembram-se de ter falado em miragens e overexpectations? Pois…

Era perante a clara noção de que ganhar o campeonato não passava de uma miragem que eu via futebol. Uma miragem não menos absurda que a de um solitário e sequioso caminhante no deserto que vislumbra um lago com palmeiras, chapéus-de-sol e caipirinhas.

Sim, era triste…mas era realista, porque isto de viver com overexpectations não é coisa boa, muito menos para um puto que nem era pré-adolescente.


Voltando ao livre de Chano. Corria a época 2000/2001, aquela em que o Benfica terminou num fantástico 6º lugar e comemorou sete épocas de jejum de campeonatos! Lembram-se de ter falado em miragens e overexpectations? Pois…

O Benfica, com Heynckes ao leme, deslocava-se ao reduto do todo-poderoso União de Leiria, clube que hoje milita naquilo que se pode considerar uma 3ª divisão. O jogo dava da TVI que tinha os direitos de transmissão dos jogos da U. Leiria em casa com os grandes e que nos presenteava com uma musiquinha com a seguinte estrofe que durante muitos anos ecoou na mente dos adeptos de futebol:


“Todos juntos

Cantamos assim,

Futebol espetáculo

É na TVI”


Assistia ao jogo na tv da cozinha e, como em todos os jogos, temia o pior. Perdíamos ao minuto 85 com um golo de Éder Gaúcho. Já muito perto do final do jogo, é assinalado um livre indireto à entrada da área da U. Leiria e é nesta altura que eu penso “tenho de fazer alguma coisa para que o Benfica marque um golo”. Então, embalado por uma enorme “raça, querer e ambição” (sai um pleonasmo para a mesa do canto) vou para dentro da despensa pedir muito para que fosse golo. Por que razão fui para a despensa? Não faço ideia mas ninguém me tira da cabeça que tive muito mérito no que se passou a seguir.

Chano toca para Calado que pára a bola. Na sequência, Chano desfere um remate certeiro para a baliza de Costinha (lembram-se dele?) e empatou o jogo.

Ora, para marcar este livre aproxima-se um rapazito de 35 anos chamado Sebastián Cruzado Fernandez, aka Chano. Chano toca para Calado que pára a bola. Na sequência, Chano desfere um remate certeiro para a baliza de Costinha (lembram-se dele?) e empatou o jogo.

Fiquei louco. Tínhamos ganho…perdão…empatado. Que sensação incrível! Afinal éramos tão bons quanto a U. Leiria! Bem, na realidade nem isso éramos porque que eles ficaram à nossa frente nesse campeonato.


E que craque era Chano que, em plena juvenilidade, inexplicavelmente iria pendurar as chuteiras no final dessa época depois de um 4-4 na Vila das Aves. De qualquer modo, sinto que pelo menos 50% daquele golo era meu mas estranhamente nunca ninguém me agradeceu por ter ido pedir o golo para a despensa da cozinha. O golo foi tão espetacular que nem está na Internet mas o Bakero teve a gentileza de me arranjar o vídeo do resumo do jogo. Infelizmente a dimensão do vídeo não permite a sua publicação aqui, mas ficam com dois frames.


O toque de Calado para Chano

A pinta do maestro espanhol após o golo

Os tempos são outros, mas nada como um pouco de retrospetiva para valorizarmos o presente.


▶ Texto da autoria do benfiquista Bruno Antunes.

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