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Sobre a Pré-Época do Benfica

“Se Amas o Futebol, amas o Benfica”. Foi assim que começou a pré-Época do Benfica. Preparado ou não, foi algo que nos trouxe esperança e nos aqueceu o coração para o novo ciclo que se abriu com a chegada do técnico alemão Roger Schmidt.


Seguiu-se um número bastante polémico, o 38. O Benfica levou para estágio, na casa da seleção inglesa, 38 atletas. Se houve quem afirmasse que não se deveria levar tanta gente, houve quem dissesse que desta forma trazia a máxima de outros tempos, o “todos contam!”. Ambas as visões são válidas. Quanto à minha, cortaria muito provavelmente apenas o médio Gabriel para estas contas. Contudo o que me apraz dizer sobre este tema, é que mal a pré-época começou já os arautos da desgraça começavam a colocar em causa o trabalho da nova equipa técnica. À data que escrevo este texto, 01 de agosto de 2022, acredito que já poucos se lembram desta história. Que no final, o tão desejado “38” seja o destino.


Sobre os jogos de preparação, os resultados falam por si. O Benfica alcançou 6 vitórias em 6 jogos. Sendo que tanto o primeiro como o último tiveram um cariz de jogo-treino e os adversários foram o Reading e o Amora, respetivamente. Embora os resultados não sejam de todo o mais importante, será sempre melhor ganhar do que perder. Acredito que os níveis de confiança estejam a bom nível para encarar um mês de agosto decisivo e complicado.



Passando ao mais importante, os sinais que estes jogos de preparação nos foram dando…. Começo por abordar o que a meu ver nos tem faltado nos últimos anos, atitude competitiva e alegria a jogar futebol. Nota-se uma maior predisposição, solidariedade para com os colegas e um “acreditar” na ideia. E, por falar em ideia… A palavra-chave passou a ser pressão. A equipa joga com as linhas mais subidas e mais juntas, passando grande parte do tempo a pressionar a campo inteiro. Destaque para o posicionamento dos dois médios, que sobem no terreno assim que a equipa perde a bola. Traduzindo isto numa forte reação à perda da bola. Neste aspecto tem-se destacado Florentino e Enzo, uma dupla que se complementa e tem dado bem conta do recado.

No que diz respeito à linha defensiva, vemos que os defesas acompanham os avançados até onde for necessário para que estes não possam rodar e jogar entre linhas. Mas, nem tudo são rosas e ainda estamos numa fase muito prematura. No jogo contra o Newcastle ficou bem demonstrado, que basta um dos elementos falhar e a defesa fica em apuros. Como se fosse um castelo de cartas a desmanchar-se. É preciso dar tempo à ideia e reconhecer que acarreta riscos.

Sobre o plano ofensivo, o mesmo está ligado em parte a esta pressão. Se recuperamos a bola perto da baliza do adversário, significa que estamos mais perto de criar perigo. Quando começamos a construir organizados desde trás, o envolvimento dos laterais tem sido importante. Na maioria das vezes envolvem-se em simultâneo no ataque, chegando a zonas de finalização e criando uma avalanche ofensiva. Não é por acaso que BAH apontou um bis de golos e assistências. Quando há hipótese de contra-ataque, a equipa não se nega, procura esses momentos. Rafa tem sido o motor eleito por razoes obvias a que já nos habituou e Enzo o seu lançador.

Ah! As bolas paradas têm deixado água na boca. Algo que nos tem faltado durante anos e anos. Chego mesmo a acreditar que já fizemos mais golos provenientes de cantos nestes jogos de pré-época do que em toda a época passada. O avolumar dos resultados deveu-se a esse trabalho.

No plano negativo, tenho de referir a construção quando há pressão do adversário. A falta de jogo de pés dos guarda-redes utilizados não ajuda, mas não é só isso. Falta trabalho como seria de esperar nesta fase. Olear a relação entre a linha defensiva e os médios, aumentar os movimentos sem bola, variações de flanco etc…



Sobre as escolhas de Roger Schmidt:


Para nos ajudar optei por fazer um gráfico com os minutos de utilização nos 4 jogos de preparação contra Nice, Fulham, Girona e Newcastle.







  • Não estaremos, longe de imaginar que Roger Schmidt elegeu para 11 base: Odysseas, Gilberto, Otamendi, Morato, Grimaldo, Enzo, Florentino, João Mário, Neres, Rafa e Gonçalo Ramos. Para alem de estes serem os atletas com mais minutos, este foi o 11 inicial nos 4 particulares analisados.

  • Neste 11 quero destacar sobretudo os posicionamentos de João Mario e Rafa. Seria de esperar que quem aparecesse na posição 10 fosse Joao Mário. Pelo que vimos até ao momento, acredito que a escolha de Rafa para esta posição esteja relacionada com o aproveitamento da sua explosão e com a maior capacidade que tem em orientar a bola para a ataque quando a recebe. Há ainda o maior equilíbrio que Joao Mário terá.

  • No que diz respeita a “segundas linhas” Diego Moreira parece ser aposta firme. Chiquinho até ver conta para as contas da época. António Silva agarrou a posição, pelo menos até à recuperação de João Vitor e de Lucas Veríssimo. Yaremchuck leva ligeira vantagem sobre Henrique Araújo.

  • Este 11 base será com certeza objeto de alterações com as vicissitudes que todas as épocas têm. Relembrar que este ano as competições europeias serão jogadas semanalmente derivado do atípico mundial que se avizinha. Mas correndo tudo de forma normal, na minha opinião Bah e Yaremchuck acabarão por entrar neste 11 em virtude da sua qualidade.

Deixo-vos ainda a estatística de golos e assistências nestes 4 jogos:

E o que ainda falta a este Benfica?


Eu diria que falta muita coisa… Mas nunca seria fácil tendo em conta o panorama com que se iniciaram os trabalhos de 2022/2023. Ainda falta sair alguns jogadores que estão a mais neste plantel. Casos claros de Meite e André Almeida, havendo ainda Gabriel e Adel a treinar com os “bês”. Outras saídas seriam bem-vindas tanto no plano financeiro como desportivo de modo a substituir esses atletas por outros que pudessem adaptar-se melhor. Casos de Vlachodimos, este mais urgente, Jan Vertonghen e, com muito custo a nível pessoal, Julien Weigl. No que diz respeito a entradas, o meio-campo ofensivo carece de alternativas válidas. Joao Mário não está de todo a encher as medidas. Ricardo Horta encaixaria na perfeição, mas a novela já se arrasta há demasiado tempo e será melhor partir para a outra opção.


Por fim, dizer que a pré-época nos deixou bons sinais. A atitude parece estar lá e nota-se que há uma ideia está a ser implementada. Contudo, o caminho será longo e sinuoso. A tal ideia estava muito longe de ser adaptável ao nosso plantel que transitou da época passada, mas as idas ao mercado estão claramente a encurtar essa distância. A nós adeptos cabe-nos disfrutar desta ideia, que tem tanto de espetacular como de sinuosa. Será um ano em que teremos de ter inteligência emocional para saber apoiar e exigir nos momentos certos. Ganhar ao Midtjylland e Rumo ao 38!