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Tragédia grega

As espectativas altíssimas colocadas por toda a estrutura encarnada foram defraudadas logo no primeiro embate, num impactante afastamento da Liga dos Campeões. A derrota frente ao PAOK pôs a nu uma série de debilidades e erros estratégicos que transitam do passado, mas não só… 


Começando pelo elenco inicial, não se pode apregoar um “Benfica Europeu” e atacar-se uma partida decisiva com André Almeida e Seferovic no onze. Consequências? As lógicas – golos sofridos com origem no lado do débil lateral português e o desacerto habitual na hora da finalização por parte do internacional suíço.


Evidentemente que Jorge Jesus tem culpas no cartório: tinha no banco o melhor marcador do campeonato passado e a contratação mais cara de sempre em Portugal, e lança um dos avançados com o pior rácio de golos por ocasião dos últimos largos anos do clube? Pede a contratação de um lateral que nem consegue ser de forma inequívoca superior ao pior lateral direito titular das últimas décadas (relembro, Nélson Semedo, Maxi Pereira, Miguel…)? 


Ao nível do investimento, o desequilíbrio é a nota predominante – para a frente investe-se com milhões, para trás com tostões (basta relembrar que Loris Benito é o lateral esquerdo mais caro da história do clube). O descalabro europeu não transita apenas da noite passada, mas de há largos anos, com uma política aberrante e nociva. Os milhões europeus já voaram e o elenco atual não dá as garantias necessárias: dever-se-ia assumir desde já o fracasso Gilberto e contratar um upgrade a André Almeida (só a nível interno, há 3 opções “extra-grandes” superiores), um central (as alternativas à dupla titular são fraquíssimas) e um médio centro, sendo que o ideal até era apetrechar o elenco com mais uma alternativa válida para a baliza e um defesa-esquerdo. Por fim, o principal rosto do insucesso tem um nome: Luís Filipe Vieira.


O presidente encarnado vem assumindo uma liderança cada vez mais ditatorial, guiando os destinos do clube com base em caprichos e feelings patéticos. A facilidade com que muda o rumo (há menos de três meses Bruno Lage era o treinador do “projeto”, a formação era o caminho, Jorge Jesus nunca voltaria) demonstra que o clube não tem qualquer tipo de projeto consistente e, não fossem as debilidades dos rivais, os resultados seriam ainda mais catastróficos (mesmo assim é importante referir que o F.C.Porto só não é tricampeão por uma segunda volta épica e praticamente irrepetível em 18/19). 


Segue-se o arranque do campeonato. Por muitos erros cometidos e debilidades existentes, o Benfica terá que se assumir como favorito, provando em campo essa superioridade. Talvez começar com 11 jogadores dê jeito.

Em Outubro, terão a palavra os sócios do clube.


▶ Texto enviado pelo benfiquista Tiago Martins.

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