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Benfica x Famalicão: Bola cá, bola lá e vitória ao cair do pano

A expectativa para este jogo estava na atitude com que o mesmo seria encarado. Se por um lado o Benfica de Bruno Lage tem estado muito bem no campeonato, nas taças e na Europa a conversa tem sido outra. O onze apresentado deu-nos confiança. A tão esperada inclusão do nosso melhor guarda redes e o facto de ter mexido pouco, deu forma a essa ideia. Na minha opinião, a pequena revolução do onze justificava-se. Entrámos num mês com muitos jogos, vem aí um jogo decisivo no campeonato e havia jogadores a necessitar de descanso. Se eram estas a peças que deviam ter alinhado? Aí não estou de acordo. O caso de André Almeida, por exemplo, confirma essa opinião. Mas, sempre se ouviu dizer, totobola à segunda feira é sempre mais fácil. Weigl vinha fazendo bons jogos e em crescendo, mas estava indisponível para o jogo. Para os especialistas em estatísticas de verticalidade deixem-me dizer-vos que fez muita falta. Deixo-vos um desafio, em vez de contarem os passes verticais, contem os toques que ele dá na bola. Não serão mais do que dois. Dá fluidez ao jogo e é daqueles que antecipa as jogadas. Olhem também para as recuperações e para o seu comportamento na transição defensiva. Hoje um tal de Pedro Gonçalves fez o que quis do nosso meio campo. Oxalá melhore e esteja disponível para o clássico. Voltando às opções, a inclusão de Gabriel acabou por ser a opção natural. A dupla Chiquinho e Seferovic também fez sentido, devido ao desgaste do ponta de lança e à forma física de Rafa. Vinícius tem trabalhado imenso na frente de ataque e Rafa vem de uma longa paragem e ainda não estará certamente na sua melhor forma.


Quanto ao filme do jogo, foi sempre muito dividido. O título desta crónica foi inspirado numa expressão utilizada por Lage na conferencia de imprensa e espelha bem o que foi o jogo. O Benfica teve mais posse de bola, mas nunca teve o jogo verdadeiramente controlado. Prova disso, é o facto de as duas equipas terem acabado a partida com o mesmo número de remates.

O Benfica até entrou bem na partida e foi criando perigo principalmente com jogados entre Pizzi e Chiquinho no corredor direito. Contudo, a ocasião de golo mais flagrante acabou por pertencer ao Famalicão. A equipa sensação do campeonato foi equilibrando o jogo e foi sempre um perigo através da exploração da fraca transição defensiva do Benfica. Fiquei com a sensação que os jogadores estavam cientes das dificuldades que tinham pela frente, mas ao mesmo tempo queriam resolver rapidamente o jogo tomando decisões precipitadas. Talvez por vir aí um clássico…


Na segunda parte entramos algo apáticos, mas eis que surge o penalty. A partir daí a equipa soltou-se um bocado e tivemos um bom período. Ao contrário de alguns jogos, a ordem foi para procurar rapidamente o segundo golo. O problema é que este Famalicão sai muito bem em contra ataque e os jogadores sabem o que fazer à bola. Por isso, e contra a corrente do jogo o Famalicão faz o golo e acaba mesmo por dar a volta. Será necessário um grande exercício de memória para encontrar um jogo em que nos dão a volta ao resultado na Luz. Destaque também para os golos que temos sofrido nos últimos jogos, numa época que vinha sendo tão boa a nível defensivo. Há que rever o processo de transição defensiva, onde se vê que há jogadores que por vezes não se comprometem a correr para trás… quanto ao resto do jogo, houve alma. Virar um resultado que havia sido virado pelo adversário nunca é fácil. A equipa carregou e acreditou sempre e há que dar mérito por isso. As entradas de Rafa e Vinícius também concorreram para isso.


Deste jogo ressalta uma necessidade tremenda de encarar com seriedade o jogo da segunda mão. O Famalicão é das poucas equipas em Portugal que sabe tratar bem a bola e é muita organizada. Já só é surpresa a sua classificação para quem nunca viu esta equipa a jogar. Nunca é demais relembrar isto. Em 20 anos, 5 finais e apenas 3 taças no museu Cosme Damião. Estes números, não podem ser os do Sport Lisboa e Benfica. Há que dar ao Benfica o que é do Benfica.


Destaques Individuias:


Vlachodimos -7

Enfim Ody na taça. Nunca saberemos o desfecho deste jogo se tem alinhado Zlobin. Mas pelo menos, sabemos que nos sentimos mais seguros assim. Fez uma grande defesa perto do fim segurando o empate que viria a dar vitória.


André Almeida – 5

Claramente que está em défice físico. Conseguiu na maior parte dos lances anular o melhor jogador do Famalicão, contudo apareceu pouco no ataque.


Rúben Dias – 7

Foi o único jogador esclarecido no quarteto defensivo. É impressionante a forma como lidera a defesa, mesmo com o capitão Jardel ao lado. Focado e com atitude. Reparei que pegou na bola quando sofremos o segundo golo e levou-a ao meio campo transmitindo confiança aos companheiros. Pequenos detalhes que fazem de Rúben um jogador à Benfica


Jardel – 5

Perdeu alguns duelos e chegou atrasado em alguns lances. Claramente sem minutos nas pernas, mas é o capitão. Tem um papel importante a desempenhar e contamos com ele.


Grimaldo – 5

Valeu o canto batido para o golo de Gabriel. Pouco esclarecido tando a defender como a atacar. Com a saída de Cervi notou-se ainda mais dificuldades em parar um tal de Diogo Gonçalves.


Pizzi- 5

Boa primeira parte, com algumas jogadas interessantes. Mas na segunda parte simplesmente não se viu a não ser no penalty. Notou-se algum cansaço, sobretudo nas tomadas de decisão Talvez deveria ter sido o escolhido para sair ao invés de Cervi.


Gabriel – 6

Acabou por ser o herói do jogo, mas não fez uma grande exibição. A nível defensivo foi facilmente ultrapassado e revelou muitas dificuldades em recuperar. Na construção também já vimos um Gabriel mais esclarecido.


Taarabt-7

Novamente MVP! Foi o grande organizador de jogo do Benfica, batalhou e carregou a equipa durante todo o jogo. Notou-se dificuldades na tal transição defensiva… Ainda assim, Taarabt diz “presente” no meio campo do Benfica e dificulta cada vez mais as opções de Lage…


Cervi-5

Mais um jogo combativo do extremo argentino. Mas desta vez sem brilho. Esteve bastante apagado, mas a sua ausência fez-se notar a nível defensivo.


Chiquinho-6

Fez uma primeira parte interessante, mas acabou por sair cedo porque o resultado e a necessidade de colocar um homem de área assim o exigiam. Pelo menos ficamos com a sensação que não se importou muito por ser relegado para o banco de suplentes com a chegada de Rafa e continua a jogar com a mesma vontade.


Seferovic-3

O que acabei de dizer sobre o Chiquinho é a antítese da atitude de Seferovic. Onde anda aquele jogador que atacava a profundidade, que pressionava os defesas, que os arrastava, que se esforçava? Falta foco e atitude a este Sefe…


Ferro-3

Entrou ao intervalo para substituir Jardel e veio a tempo de ser totalmente comido nos golos do Famalicão. Bem sei que no segundo não tem assim tanta culpa no cartório… Mas podia e devia ter feito mais. Quanto ao primeiro golo, está à vista de todos…


Rafa e Vinicius-6

Decidi fazer esta em conjunto porque entraram ao mesmo tempo e vieram com a missão de dar vontade e engenho ao ataque benfiquista. Trouxeram apenas vontade e essa bastou. Rafa acabou por fazer um golo numa recarga de um remate de Vini.


Bruno Lage-6

Desde o jogo com o Rio Ave para os quartos de final da taça que tenho reparado nas defesas adversárias mais subidas na Luz. Desta forma encurtam mais o espaço entre linhas que o BL tanto gosta. Cabe ao mister arranjar alternativas para este problema. Desta vez passou, mas tem sido cada vez mais difícil. Nota ainda para os golos que temos vindo a sofrer. Talvez devia ter considerado um jogador como Samaris ou Tino para contrariar a capacidade de contra ataque do Famalicão. Desta vez mexeu cedo, o resultado assim o exigia, acabou por ser recompensado ao cair do pano.


Benfica leva-me ao Jamor e traz lá essa vitória tão desejada no próximo Sábado.

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