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É o que é

"É o que é". Esta frase infeliz de Nélson Veríssimo diz tudo sobre o momento actual do Benfica. Dá-lhe até um certo sentimento misterioso e místico, transmitindo a ideia que, aparentemente, não havia nada a fazer e sempre estivemos condenados a um fim de campeonato penoso. Teremos um campeão justo? Diria que sim. Pelo menos foi claramente o que mais quis ganhar, tendo conseguido unir-se para ultrapassar a fase mais complicada da época na altura em que Sérgio Conceição colocou o lugar à disposição. Já o Benfica fez o percurso inverso: partiu de uma posição invejável e de grande estabilidade para um autêntico descalabro desportivo e emocional. Não há explicação óbvia para esta derrocada, apenas os jogadores poderão desvendar este mistério, mas parece-me evidente que algo aconteceu naquele balneário depois da derrota no Porto por 3-2.


Mas sobre isto já estarão fartos de ouvir falar e ficará, certamente, para memória futura. Prefiro debruçar-me sobre o futuro e as possíveis consequências deste terramoto benfiquista.


A EQUIPA

Chegou a altura de enfrentar a dura realidade que vinha sendo mascarada pelo sucesso de Bruno Lage na época passada: esta equipa não tem qualidade, experiência ou personalidade para responder à exigência de um clube como o Benfica. Poderão achar que isto é uma afirmação dura e insensível, porque afinal estamos cá para "apoiar", mas amigo é aquele que diz a verdade, mesmo nos momentos mais difíceis.


Na minha opinião, o Benfica tem hoje um plantel recheado de jogadores medianos, projectos de futuro e outros que simplesmente não têm qualidade para envergar a nossa camisola. Não temos um único craque, um daqueles que jogaria em qualquer equipa do mundo. Zero. E reparem que já nem se pode usar o argumento que os jogadores estão em fase de crescimento e que temos de aguardar por tempos melhores! A maioria deles não evoluiu de forma positiva nos últimos tempos e arrisco até dizer que alguns pioraram. Isto deve-se obviamente à qualidade do treino, ou à falta dela, mas também em grande parte à inexistência de uma mentalidade vencedora no clube. A exigência perante os atletas é baixíssima, sentimento que também já afectou as bancadas da Luz que aprenderam a gostar de um 1-0 sofrido com serviços mínimos, e temos tido muito pouco retorno para o investimento feito em salários, prémios e apoio pessoal aos atletas. Criámos um grupo de mimados que exigem mundos e fundos, a quem nada se pode apontar e que estão longe, muito longe, de justificar o estatuto de estrelas.


Mas não se pense que este é um problema exclusivo destes rapazes que, mal ou bem, vão tentando fazer o seu caminho. A destruição do valor do plantel vem sendo feita desde o final da época 2013/2014, período que marcou o fim do mandato desportivo de LFV, o famoso "3+1+50". O Presidente prometeu 3 campeonatos, uma final europeia, 50 títulos nas modalidades e passar a transmissão dos jogos para a Benfica TV. Não só cumpriu estas metas ambiciosas como até levou o clube a duas finais europeias. Ou seja, quando havia motivação a coisa fez-se! Aparentemente essa fome de glória desapareceu e temos assistido, ano após ano, a uma degradação do valor geral da equipa que apenas a estrela cadente João Félix e o grande Jonas conseguiram disfarçar. Façam este exercício: quantos jogadores deste plantel entrariam no 11 base de 13/14? Um, dois... nenhum? Isto não foi há 20 anos, foi há 6 épocas. É surreal. É revoltante. Não se entende, não se aceita e não vale apresentar lucros recordes quando isso é feito à custa da destruição da qualidade da equipa. O resultado está à vista: estamos à beira de perder 2 campeonatos em 3 para o pior Porto dos últimos 30 anos (e podiam perfeitamente ter sido 3 em 3) e as prestações na Europa têm sido uma autêntica vergonha, com todas as consequências que isto tem termos futuros devido à descida no ranking europeu.


E agora? Quanto custará aumentar a competitividade desta equipa? Falta um central, um guarda-redes de rotação, laterais (esquerdo e direito), um médio box-to-box, extremo direito (Pedrinho já está contratado por 20M), um avançado móvel e um ponta-de-lança que seja alternativa a Vinícius. Quanto custa tapar todos estes buracos com jogadores de valor reconhecido? Nem quero imaginar.


O TREINADOR

Sejamos francos, na verdade não estamos a falar de um treinador qualquer: estamos a falar de Jorge Jesus. LFV parece desesperado por contratar o nosso ex-treinador o que não só revela a total falência do projecto desportivo (já lá vamos), como demonstra mais uma vez a habilidade política do Presidente. O interesse em Jorge Jesus não se baseia apenas na vertente desportiva, é também um tiro no porta-aviões do principal rival (até ao momento) nas próximas eleições: Rui Gomes da Silva. É público o desdém que RGS tem por Jesus e esta relação profissional seria extremamente complicada, algo que certamente será explorado pela entourage de Vieira nos próximos tempos.


Jesus, que foi corrido do clube em defesa do projecto da formação e acabou no rival Sporting, é uma nuvem que teima em pairar e é referido sempre que se fala em troca de treinador no Benfica. Foi assim com Rui Vitória e é assim agora depois da demissão de Bruno Lage. LFV quer Jesus e Jesus quer o Benfica, mas será ele a melhor opção para assumir o regresso do projecto desportivo? Admito que não sou grande fã da personagem nem do homem, mas sem dúvida que estamos perant