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A Paz Benfiquista

Dificilmente o Sport Lisboa e Benfica podia ter passado por 6 meses tão traumáticos: recomeçou a Liga após suspensão, em virtude da COVID, ficámos sem o título por responsabilidade própria, apesar dos 7 pontos que tivemos de avanço, saiu o anunciado treinador para uma década (Bruno Lage), manteve-se um interino que não teve capacidade para segurar a equipa, perdemos a Taça de Portugal de forma inglória, contratámos Jorge Jesus e alguns bons reforços, caímos com estrondo da Liga dos Campeões e em consequência saiu o esteio da defesa, não se reforçando, como fora prometido, o miolo e as laterais - o que deixou o plantel profundamente desequilibrado.


Ao mesmo tempo, defrontaram-se em eleições dois pólos, que se tornaram antagónicos e que saíram do vieirismo: os jovens turcos, que pediram a mudança, os velhos do Restelo (como eu), que mantiveram a esperança nos que nos governam. Repito, dois pólos com o mesmo Pai: o vierismo.


O nosso Clube viveu, assim, um dos mais complexos períodos de que há memória.


Passadas as eleições e quando pensávamos em estabilidade e paz interna, surgiram duas derrotas seguidas e novas buscas (será que as 8 anteriores não chegaram?) destinadas, diz-nos a imprensa, esse eco da Justiça do século XXI, a “fechar inquéritos” (Sic).


O Benfica terá paz?


Tenho as minhas dúvidas, as minhas mais fortes dúvidas. Na verdade, os próximos tempos serão demasiado complexos para que se assista a uma normalização das relações entre Benfiquistas.


Por um lado, as consequências económicas do tempo que vivemos, as devastadoras consequências económicas, trarão, mais dia menos dia, consequências negativas evidentes ao futebol português, com o necessário desinvestimento dos principais Clubes, sendo claro que o nosso não ficará fora dessa realidade, o que enfraquecerá a qualidade do futebol português.


Por outro, e não menos importante, há uma crise geracional no Benfica, parecendo-me que as gerações mais novas imporão, numa postura quase ditatorial, uma mudança nos órgãos sociais, seja ela qual for, nem que passe pela lógica do “golpe de estado”, como têm ameaçado amiúde...


Não lanço, pois, o apelo à “Paz Benfiquista”, uma vez que isso seria colocar-me sob fogo amigo e inimigo. Mas deixo um repto: se sem essa paz, como sabemos, é impossível alcançarmos o sucesso, para quê manter a guerra?