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Benfica x Desp. Aves - O reerguer do jogador expulso

O relógio indica-nos as 19 horas. Para muitos, a hora de saída do trabalho, para outros, um período de tempo infinito passado num engarrafamento e para a Liga Portugal, um jogo do Benfica. A Liga, que pede que os estádios portugueses tenham mais adeptos, é a primeira a marcar jogos para horas que pedem aos adeptos para não marcarem presença.


Indo ao que realmente interessa, o campeão Benfica contra o atual lanterna vermelha Desportivo das Aves. Um lanterna vermelha que, apesar de para muitos enterrado, tem vindo a melhorar a olhos vistos o seu futebol desde que os salários em atraso do plantel foram pagos. Do lado do Benfica, os adeptos esperavam o 11 de Guimarães, com a entrada de Weigl para o lugar do suspenso Taarabt. No entanto, visto que o Benfica na próxima semana terá 2 jogos importantíssimos para o desfecho da época, Rio Ave em casa para a Taça e Sporting em Alvalade para o campeonato, Bruno Lage decidiu dar uso à rotatividade disponível e fez alinhar, além do reforço sonante alemão no miolo, André Almeida por Tomás Tavares, Jota no lugar de Cervi e Seferovic na posição de Vinícius.

A Luz estava confiante num duelo ao género de David e Golias, com uma vitória fácil do Benfica, mas nada do que aí vinha estava previsto. O jogo começou com um plano de jogo fácil de identificar de ambas as partes: o Benfica queria marcar cedo e gerir o jogo a seu ritmo de modo a não desgastar a equipa. O Aves, por sua vez, defendia com um bloco baixo e tentava atacar através de contra-ataques, recuperando a bola e fazendo passes de rutura, maioritariamente pelos pés de Estrela ou de Zidane Banjaqui, ambos com o selo Seixal, sendo que este último fez-nos questionar se era este o filho de Zidane que jogava no Aves. Os adeptos também desenvolveram o seu plano de jogo que consistia em observar Julian Weigl enquanto tentavam pronunciar bem o seu nome.


Aos 20 minutos, numa abordagem falhada de Ferro, o Aves chegou ao golo. O Benfica, até ao intervalo, tentou chegar ao empate mas sem sucesso. A 2ª parte conta-nos uma história diferente. Se por um lado o VAR veio trazer a dita verdade desportiva, por outro veio trazer algumas marcas inéditas. Hoje, por exemplo, trouxe-nos o golo de um jogador expulso, um conceito que até há alguns anos era inexistente. O árbitro Carlos Xistra decidiu mostrar o vermelho direto a André Almeida, deixando por alguns segundos o Benfica com 9 unidades o que tornava a situação ainda mais delicada. A verdade é que se para quem está no estádio a entrada de André Almeida parece muito dura, através das repetições a dúvida muda para se é falta ou não. Parece-me que atualmente os arbítros sentem as costas quentes por causa do VAR e que os isenta de qualquer responsabilidade. É como se pudessem tomar qualquer decisão mesmo que esta não faça sentido pois o VAR pode corrigir. Pondo noutro contexto, é como se um médico fizesse um diagnóstico errado mas este fosse corrigido a posteriori por uma entidade superior que isentasse o médico do erro. É algo inexistente, menos para os árbitros. O árbitro acabou por corrigir a decisão, permitindo à equipa do Benfica voltar a jogar com 10 unidades devido à utilização de Seferovic.


O Benfica foi crescendo, encostando o Aves às cordas e aos 76 minutos acabaria por chegar o inevitável golo do empate. Passe de Grimaldo, que até ao momento fazia uma exibição à Yuri Ribeiro, para a desmarcação de Vinícius que conquistaria assim o penálti. Na conversão, Pizzi empatou. A partir daí, todos sentimos que a vitória não ia escapar, mas, provavelmente nenhum de nós acertou no herói.