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De todos, um.

O dia 10 de Julho de 2019 ficará marcado na memória colectiva de todos os Benfiquistas como um dia triste, o dia em que um jogador da sua equipa principal de futebol, de seu nome Jonas Gonçalves Oliveira, decidiu retirar-se dos relvados deixando o seu pedestal de ídolo incontestado para subir ao de lenda intemporal.


Para mim, Jonas nasceu demasiado tarde para o futebol. Comparando-o com outros mitos vermelhos, Jonas não era como o Preud’Homme que chegou ao Benfica já com toda uma brilhante história no futebol mundial, não era como Aimar ou Saviola, ambos já com cartaz elevadíssimo antes de descobrirem o Benfica, não era certamente como o Luisão que chegou novo e mereceu o seu estatuto após anos de empenho, dedicação e glória e não era tão pouco como Cardozo, que abraçou no Glorioso a sua primeira experiência europeia e subiu cada degrau à cadência dos golos que festejava. Não, Jonas para mim nasceu no Verão de 2014, no dia 12 de Setembro para ser mais preciso, no dia em que assinou o seu primeiro contrato com o Benfica. Nasceu já com 30 anos.



Jonas é como aquele amor que parte do racional e não do coração. É aquela relação que começa com um franzir do coração e um “não era bem bem isto, mas vamos lá ver o que é que isto vai dar”. Não é daquelas paixões imediatas e avassaladoras, antes aquela chama quente e segura para quem já passou por dissabores passados. Por vezes, nem sempre, são estas relações que acabam por ser as melhores, as que nos trazem mais alegrias, mas também as que nos deixam mais arrasados na hora do adeus.


Além dos golos que marcou ao serviço do Benfica, Jonas destacou-se pelo perfume que deixava nos relvados, como se cada gesto fosse adornado de seda, como se cada toque fosse dado em câmara lenta, mas também fora dele com o demonstrar constante de amor ao Clube, de abnegação, compromisso e esforço sem limites. Era aquela voz unânime que ninguém contestava, um pai para os miúdos da formação, um pilar no balneário, era aquele tipo de jogador que os mais novos deviam tentar imitar, que conjugava na perfeição a irreverência com a paixão e o profissionalismo.


Por várias vezes ultrapassou as adversidades que o seu próprio físico lhe impunha, como que a dizer “vá, já chega, tou cansado pô”, voltando aos relvados como uma onda caprichosa que teima em voltar para a areia e que responde “não chega nada irmão que ainda tenho muito para mostrar”. Até que chegou mesmo.


O último adeus como jogador

O dia de 10 de Julho de 2019 ficará marcado na minha memória. Raros são os jogadores que por mérito próprio alcançam o direito em imortalizar o seu nome na história de um clube, que se conseguem destacar para além dos demais, para além de muitos, tornando-se uma luz única que brilha eternamente. Raras vezes também o lema de um clube se personifica nos atletas que por ele passam, mas este é um destes casos e Jonas será sempre, por isto tudo e muito muito mais, de todos, um.


Até sempre Jonas.


▶ Texto enviado pelo benfiquista Gonçalo Vale

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