Falta cumprir-se Benfica
- Benfica Independente
- há 3 horas
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▶ Texto enviado pelo benfiquista Ricardo Gomes
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Falta cumprir-se um Benfica grande, com identidade, que orgulhe a sua gente e, acima de tudo, a sua história.
O que aconteceu em Leiria é apenas o reflexo de vários anos de más decisões, má gestão e de uma profunda crise de identidade que faz do Sport Lisboa e Benfica atual um reflexo pálido da sua grandeza passada. Nos últimos vinte e cinco anos, o Benfica conquistou 8 Campeonatos, 8 Taças da Liga, 3 Taças de Portugal e 7 Supertaças. São números insuficientes para um clube que sempre se afirmou como dominante e hegemónico.
Vivemos num Benfica onde se preferem recordes do Guinness a recordes de pontos e betão a identidade. Onde a imagem e a obra substituíram o projeto desportivo.
Em Leiria, o Braga foi a equipa grande, como tantas outras têm sido quando entram no Estádio da Luz. O Benfica não assume o jogo e não entusiasma. As bancadas, hoje feitas de cadeiras, já não são feitas de vozes como outrora foram. O adversário já não treme e sente-se confortável.
Pior do que ver o Benfica a não ganhar é ver o Benfica a distanciar-se de si mesmo. É cada vez mais difícil sentir que o Benfica está a ser Benfica.
Um Benfica grande exige líderes que estejam à altura, sobretudo nos momentos difíceis. Exige responsabilização. Exige consequências para quem falha repetidamente. O que se vê é o contrário. A mediocridade e a normalização da derrota estão se a instalar no maior clube português.
É também cada vez mais notório que há benfiquistas que já não conhecem o clube do qual são adeptos. Diz-se que a mudança tem de vir de dentro, que a culpa é dos árbitros, da comunicação social ou dos outros clubes. Ontem, uma jovem adepta afirmou que os adeptos deviam estar contentes porque o importante é participar e porque não se pode ganhar sempre.
No Benfica, isso nunca foi verdade. O Benfica pode e deve ganhar sempre. Não por arrogância, mas por identidade. É um dos maiores clubes do mundo e, neste momento, é um gigante adormecido que teima em acordar, também porque quem está mais próximo dele prefere cantar-lhe canções de embalar. Ainda assim, mais longe, mas nunca ausentes, há quem grite para que acorde.
Nestes momentos difíceis, cabe-nos a nós viver o Benfica à nossa maneira e continuar a acreditar que um dia teremos de volta o Benfica de Cosme Damião e de Eusébio. Porque do Benfica nunca se desiste, por muito que nos tentem convencer do contrário.

