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Deixar para mais tarde: paciência, ou resignação?

Há quem diga que Bruno Lage não tem olho para as substituições, ou que quando as resolve fazer, já o jogo está demasiado perto do final para que tenham real impacto. Será verdade o que por aí se apregoa?

Quantas vezes teve o leitor vontade de gritar ao treinador do Benfica, "Ó Lage, faz qualquer coisa! Mete alguém, refresca a equipa!!"? E no entanto lá continua ele, mãos na boca, à espera que alguém se lesione para fazer uma substituição...


Em Julho do ano passado, em plena pré-temporada, Bruno Lage afirmou querer um plantel curto e competitivo, para "dar oportunidades a todos para lutar por um lugar na equipa", e para que "quando não forem a primeira opção, tenham vontade e estímulo para evoluir e conquistar o lugar".


Em Janeiro, o treinador reiterou esta sua vontade de querer "uma equipa competitiva", em que não houvesse "mais do que dois jogadores por posição".


Neste contexto, as opiniões dividem-se. Se o treinador quer um plantel reduzido para que haja luta por lugares no onze titular, então é porque os escolhidos serão aqueles que lhe dão melhores indicadores durante os treinos semanais. Por outro lado, se quer tentar encontrar uma equipa base, e ir trocando as "peças" em jogos específicos, não faz muito sentido ter um plantel curto. As palavras do treinador do Benfica dariam a entender que era admirador da primeira vertente. Os números dizem outra coisa.



Na época que agora decorre, apenas 9 jogadores jogaram mais de metade dos minutos totais que poderiam ter efectuado em 39 jogos oficiais. É igualmente revelador que 14 jogadores tenham jogado mais minutos que a média de minutos jogados pelo plantel. Ou seja, o plantel do Benfica tem 24 jogadores (27, se contarmos com Morato, David Tavares e Tiago Dantas, que já jogaram esta época), mas apenas 14 têm mais de metade da média de minutos jogados pelo plantel. Quer isto dizer que Bruno Lage aposta sobretudo nestes (11 + 3) jogadores, isto é, numa equipa base, o que contradiz aquilo que veio dizendo nas janelas de transferências. Mas há mais.


Por três ocasiões, Bruno Lage não gastou as substituições que tinha para fazer, e por quatro vezes fez a 1.ª substituição nos 10 minutos finais da partida. E esta preferência pela permanência dos jogadores que entram em campo é mais notória na próxima estatística: 40% (!) de todas as substituições do Benfica nesta temporada ocorreram depois dos 80 minutos de jogo, e perto de 60% das substituições foram efectuadas nos últimos 15 minutos. Bruno Lage fez igualmente 14 substituições para lá do tempo regulamentar, ou seja, depois dos 90 minutos.


O treinador do Benfica tem aqui um problema, que se torna evidente a todos os que vêem os jogos: há jogadores a acusar desgaste físico nesta fase da temporada, que se adivinha fundamental para as nossas aspirações. Aliás, o Benfica é o único clube que tem mais de um jogador nos 10 mais utilizados na Primeira Liga: Rúben Dias, Vlachodimos e Grimaldo!



Estas substituições tardias (quando as faz) bem como a insistência nos mesmo jogadores, levam-nos a pensar uma de duas coisas: ou o treinador é um homem paciente, ou está resignado ao plantel que lhe foi dado. Mais do que tirar ilações do que ele diz, podemos inferir das suas acções que Bruno Lage vê uma discrepância de valor nos jogadores que apresenta em campo, e nos que tem no banco. Não fosse assim, haveria mais rotatividade, e mais minutos distribuídos por mais jogadores. E não me admiraria que os jogadores se apercebessem do mesmo. Que é irrelevante treinarem mais afincadamente durante a semana, ou apresentarem melhores índices durante os jogos, que o treinador irá irremediavelmente escolher (quase sempre) os mesmos, e fazer as mesmas substituições…


Estamos quase em Março, e o Benfica continua em 3 frentes de batalha. Refrescar a equipa para resguardar jogadores na fase decisiva do campeonato, é algo que não se adequa ao modus operandi do Bruno Lage. É por isso que o Benfica devia seriamente reconsiderar mudar a hashtag desta época para #JogarAtéEstoirar.