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E agora, Rui?

Caro Rui, faltam cinco meses para acabar a época desportiva e a equipa de futebol prepara-se para fazer o bis. Fazer o bis de terceiros lugares no campeonato, depois de ter gastado um valor record em reforços para a equipa, em duas épocas – cerca de 150 milhões de euros.


Parece-me que temos aqui um problema crítico na relação custo-benefício, não achas?


Comecemos por aí. Eu não sei o que é que tu achas. Ninguém o sabe, na verdade. Uma das últimas frases fortes de que me recordo ter ouvido da tua boca foi dita no debate com o candidato Benitez. Lá, dizias tu, cheio de ti, que os sócios conheciam a tua história no clube e que, o teu opositor, por não apresentar os nomes que o acompanhavam, estaria, com isso, a pedir que os sócios lhe apresentassem um “cheque em branco”.


Sinceramente, eu acho que esse cheque te foi passado a ti. Honra te seja feita: apresentaste-te a votos como o candidato da continuidade. E aí está, continuaremos no terceiro no lugar no futebol esta época, sem um projeto desportivo claro, sem uma política de comunicação definida e sem um rumo nas modalidades do clube, que continuam, no masculino sobretudo, a perder muito e a ganhar pouco. E a gastar como nunca.


No fundo, deixas-nos como estávamos, onde o teu antecessor nos colocou: numa espiral recessiva em direção ao caos, e eu pergunto: é este o caminho que desejas para o nosso Benfica? Diz-me qualquer coisa, homem. Diz-nos qualquer coisa!


Estou certo de que todos os que votaram em ti esperavam um futuro diferente, mas tu deixaste, tens deixado tudo igual. As mesmas pessoas, os mesmos hábitos, as mesmas escolhas, os mesmos vícios. Os mesmos erros.


Diz-me Rui, estás nessa cadeira por imposição ou por vocação?


Chegou o momento de nos dizeres isso. Agora que Jesus saiu e que o campeonato e a taça de Portugal estão perdidos, a cinco meses do final da época, é altura de nos dizeres algo, ou fazeres alguma coisa. Nós precisamos de esperança para aguentar esta agonia. Nós, adeptos e sócios, precisamos de uma centelha que nos ilumine até ao final da época. Que nos abra uma janela e deixe entrar o sol na negritude opaca em que se tornou o que hoje resta do Sport Lisboa e Benfica, outrora, Glorioso. Hoje, uma sombra de si.


Como tu, Rui, és hoje uma sombra do que foste. Uma sombra ilusória da imagem de mágico que criaste no relvado. Vais fazer magia fora dele, Rui? Estarás tu à altura do maior desafio da tua vida: reerguer o Sport Lisboa e Benfica?


Fala connosco, Rui…


▶ Texto enviado pelo benfiquista Gonçalo Mendes.


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