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Ensaio sobre a nojeira

No outro dia estava a ver um filme (Phenomenon, na Netflix) e dei por mim a pensar na mortalidade e efemeridade da condição humana. Calma, não estava a pensar em morrer, apenas no estado provisório da nossa vida e na maneira como aproveitamos o tempo que temos neste planeta. Sem entrar no lugar-comum do carpe diem e todas as teorias ocas à volta disso, a realidade é fulminante como o Jonas na área: só temos uma oportunidade e mais vale aproveitarmos ao máximo!

Nesse dia pode ser que se comecem a pensar em medidas concretas que reformem o futebol português de cima abaixo para que finalmente se consiga apreciar o jogo pelo jogo e aquilo que é mais puro neste desporto

Trazendo isto para o contexto futebolístico, esta semana tem sido pródiga em eventos trágico-cómicos que nos deviam obrigar a pensar. Todo o episódio Catão/Boaventura, e a novela que se lhe seguiu, é revelador do estado a que o futebol português chegou: miséria moral total e absoluta. Os limites da estupidez têm sido constantemente empurrados para patamares nunca antes vistos e aparentemente ninguém, para além dos que gostam do futebol e seus clubes, parece muito preocupado com isso. Os media rejubilam com as polémicas, a Liga e a Federação fingem que não é nada com eles, os dirigente dos clubes aproveitam a onda para lançar ainda mais lama sobre os adversários e os adeptos naturalmente entram na luta para defender as suas cores. Mas ninguém defende o futebol.

Acham que sou ingénuo ou lírico? Talvez. Não sou diferente do adepto comum e também dou por mim irritado e a querer espancar os Jota Marques da vida

A minha esperança é que eventualmente chegue o dia em que alguém com responsabilidade em cargos de decisão vai parar, olhar à sua volta e pensar: "Como chegámos a isto? De onde apareceram estas personagens macabras e porque lhes estamos a dar mais importância que a jogadores, treinadores e adeptos?" Nesse dia pode ser que se comecem a pensar em medidas concretas que reformem o futebol português de cima abaixo para que finalmente se consiga apreciar o jogo e aquilo que é mais puro neste desporto: a amizade, as experiências e a emoção daquele milissegundo que antecede um golo da nossa equipa. Isto não tem preço.

Não me entendam mal, existirão sempre polémicas e discussões num desporto de alta competição onde só um pode ganhar

Acham que sou ingénuo ou lírico? Talvez. Não sou diferente do adepto comum e também dou por mim irritado e a querer espancar os Jota Marques da vida, mas tem de haver algo mais para além do que temos visto nos últimos 5/6 anos. Bolas, se só tenho uma oportunidade para viver o nosso Benfica de certeza que não a vou desperdiçar dando importância a quem não a merece!

O primeiro passo é não dar audiência a este triste espectáculo. As coisas mudarão no dia em que os media e estruturas dirigentes perceberem que este não é o conteúdo que nós, os adeptos, queremos. Não me entendam mal, existirão sempre polémicas e discussões num desporto de alta competição onde só um pode ganhar, e isso até desperta mais interesse e emoção, mas uma coisa são os conflitos normais e saudáveis entre clubes... outra é este absoluto nojo que não pode ser considerado normal ou aceitável.


Celebremos o Benfica, cultivemos o benfiquismo e gozemos a amizade dos nossos.

Que se lixem os outros, só cá estamos uma vez.

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