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Eu canto, tu cantas, ninguém canta

Atualizado: 16 de Abr de 2019

Já não há mais maneira de fingir que não existe um problema grave no ambiente dos jogos no estádio da Luz. Tem sido um assunto tabu para não ferir susceptibilidades e egos, mas a partir do momento em que esta situação começa a influenciar a prestação da equipa passa a ser um assunto de resolução urgente e, para isso, temos de o discutir.

A equipa tem tido uma prestação mais segura fora de casa, onde o apoio tem sido fortíssimo, do que na Luz e acredito que isso se deva, em parte, ao clima estranho que se vive actualmente na nossa casa. O “inferno” de outrora, que impressionava equipas e adeptos adversários, deu lugar a um estádio nervoso, silencioso e monótono que somente reage a golos e apenas por breves segundos.


Nota prévia: perdoem-me o texto longo, mas este é um assunto muito importante que não pode mais ser ignorado, a bem do Benfica e dos benfiquistas.


O contexto

Indiscutivelmente a questão da legalização das claques prejudicou, e muito, o ambiente do nosso estádio. Existe uma perseguição clara às claques benfiquistas porque foram as únicas a enfrentar o sistema e recusar uma lei injusta, absurda e feita para inglês ver, que na prática apenas serviu para encher os bolsos de alguns claqueiros sem escrúpulos. Quase todas as claques em Portugal estão ilegais, seja lá o que isso for, mas apenas as nossas estão impedidas de usar megafones, tambores e material com simbologia dos grupos. Por exemplo, a principal claque do Vitória de Guimarães tem apenas 12 membros inscritos no IPDJ mas é considerada legal… isto apesar de todas as semanas apresentar centenas de membros nas bancadas. Alguém do IPDJ e da Liga consegue justificar esta diferença de tratamento e explicar porque apenas o Benfica vê o seu estádio alvo de interdição quando TODAS as claques são ilegais à luz desta lei?

Proposta: o Benfica deve denunciar esta perseguição expondo o número de registados nas claques e confrontar estes valores com o que está escrito na lei. Facilmente se chegará à conclusão que todas as claques estão ilegais, mas para isso é necessário colocar pressão sobre estas instituições de modo a que justifiquem esta diferença de tratamento flagrante. A lei é para todos ou não é para ninguém!


Eu canto, tu cantas, ninguém canta

Se analisarmos o que é dito sobre o tema nas redes sociais parece que não existe problema. Ou melhor, toda a gente se queixa mas ao mesmo tempo afirma que apoia muito e que o problema é o vizinho do lado. Será? Será que fazemos mesmo a diferença naquelas 2 horas em que estamos na bancada? Não me parece. Eu não faço de certeza, dou por mim apenas a acompanhar palmas, soltar uns tímidos gritos de apoio quando o estádio se empolga ou a equipa tem uma fase fulgurante, mas na maioria do tempo sinto-me engolido pelo mar de silêncio e ansiedade de gente que, como eu, não reage, não se empolga… nada. Acreditem ou não, nem sempre tive esta atitude. Fui membro de uma das nossas claques por quase 2 décadas e sempre cantei, incentivei, fiz material de apoio e dava o meu melhor em todos os jogos, casa ou fora. Mas hoje olho à volta e sinto vergonha. Vergonha por mim e pelos outros que, tenho a certeza, também querem fazer mais e melhor mas não conseguem.