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Liverpool nos pés de Beto

Atualizado: 11 de Set de 2019

O dia é 7 de março de 2006 e nesta terça-feira soalheira um grupo de benfiquistas parte em viagem para acompanhar o Glorioso em mais uma jornada europeia. O plano parecia simples, sair de Lisboa em direcção a Granada para apanhar um avião que nos levaria directamente a Liverpool onde o Benfica jogaria na noite seguinte a segunda mão dos oitavos-de-final da Champions League frente ao campeão em título, Liverpool.

O caminho era longo e por isso tínhamos muito tempo para colocar a conversa em dia. Recordações de outras deslocações europeias, jogos clássicos do Benfica pelo velho continente, estórias engraçadas de camaradas de viagem… enfim, o bate papo clássico de todas as deslocações. Estes serão porventura os momentos mais alegres e descontraídos das viagens porque por esta altura ainda não sabemos se vamos a caminho de um Arsenal x Benfica de 91 ou de um Celta x Benfica, mas à medida que a hora do jogo se aproxima a ansiedade instala-se e a coisa só piora até a partida finalmente terminar. Mas para já o ambiente ainda estava calmo, mal sabíamos o que nos esperava…

De Espanha nem bons ventos...

A viagem até Granada decorreu de forma tranquila e chegámos ao aeroporto perfeitamente dentro do prazo estabelecido. Mas algo não estava bem. À medida que íamos avançando pelo aeródromo reparámos que muitos benfiquistas tinham tido a mesma ideia que nós, mas existia alguma agitação no ar. Chegados ao local do check-in percebemos o problema: voo cancelado!

Por esta altura os ânimos já estavam muito exaltados com dezenas de benfiquistas junto ao balcão da companhia a demonstrar a sua indignação enquanto muitos mais iam chegando. Pouco tempo demorou até começarem a voar objectos. Havia uma expressão de revolta e impotência na cara de todos, o voo fora cancelado devido a uma greve dos controladores aéreos em França e não nos apresentaram alternativas que permitissem chegar a tempo de ver o jogo nessa noite. Muitos camaradas voltaram para Lisboa, outros optaram por passar essa noite no aeroporto e rezar que existissem alternativas quando os balcões das companhias aéreas reabrissem na manhã seguinte.

Na manhã seguinte conseguimos arranjar um voo para o Reino Unido que nos permitia chegar algumas horas antes de o jogo começar, mas teríamos de partir de Málaga e aterrar em Manchester, a cerca de 50km do destino pretendido. De repente uma viagem relativamente tranquila transformou-se numa autêntica corrida contra o tempo. Desistir não era opção, apesar de tal nos ter passado pela cabeça, e assim partimos rumo a Málaga.


O grupo onde me incluía ficou reduzido a 4 elementos, dois rapazes e duas raparigas, e durante a viagem para Málaga os telemóveis não pararam de tocar. Recebíamos mensagens de companheiros que tiveram de voltar para casa, ora por falta de fundos, porque a companhia não devolvia logo o dinheiro do cancelamento, ora porque já não existiam mais lugares nos voos que chegavam antes do jogo. Felizmente muitos conseguiram arranjar alternativas e por esta altura havia benfiquistas espalhados por todos os aeroportos do sul d