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Luís Filipe Vieira e os seus demónios

Quem esteve ontem na Assembleia Geral do Benfica pode assistir a mais um festival do Presidente benfiquista. Já é um clássico nestas reuniões: o primeiro discurso é uma leitura de um texto insonso e formal, escrito por um dos escribas do departamento de comunicação, e a última intervenção da noite revela o lado genuíno do Presidente. Sinceramente prefiro a segunda versão porque, apesar das asneiradas e exageros, nota-se que é um discurso sincero e do coração.


Mas ontem falou-se muito de méritos e deméritos desportivos. Uns acham que este campeonato foi mérito de toda a estrutura, com o Presidente à cabeça, outros consideram que esta vitória aconteceu apesar da dupla Vieira/Vitória. Na verdade todos estão certos.

No que diz respeito à prestação desportiva, a pergunta que se impõe é "porque não conseguimos ter um Benfica hegemónico se todas as condições estão criadas?" A resposta parece-me simples

Vamos por partes:

Tem razão o Presidente quando afirma que muitas das críticas que ouviu são injustas. É um facto indesmentível que o Benfica de hoje está radicalmente diferente, para melhor, do Benfica pós-Vietname. Temos instalações de topo, uma estrutura profissional e competente em quase todas as áreas de actividade, os resultados desportivos têm aparecido e o futuro parece brilhante, alicerçado também numa estabilidade financeira sem paralelo em Portugal. Mas o que LFV continua a não entender é que este descontentamento tem origem nas inúmeras promessas não cumpridas ao longo dos anos… e sinceramente, alguém acredita que o João Félix só sairá pela cláusula? Então porque insiste em fazer este tipo de declarações sabendo que não as pode cumprir e que isto destrói a confiança dos associados na sua liderança? Não faz sentido.


No que diz respeito à prestação desportiva, a pergunta que se impõe é "porque não conseguimos ter um Benfica hegemónico se todas as condições estão criadas?" A resposta parece-me simples: porque o futebol continua a ser a única vertente do clube entregue a um amador. E esse amador é o próprio Luís Filipe Vieira.

Alguém que entenda os jogadores, saiba ler os sinais do balneário e tenha conhecimentos profundos do jogo que lhe permitam entender os pontos fortes e fracos do plantel a todo o momento.

Não quero com isto dizer que o Presidente deve abandonar o clube. LFV tem feito um bom trabalho no geral e é a cola que une todos os departamentos do clube mantendo todos a caminhar no rumo certo de acordo com a estratégia definida. Mas no que diz respeito à gestão do futebol, seja a nível de decisões de transferências de jogadores, scouting ou gestão do plantel, este trabalho tem de estar obrigatoriamente nas mãos de alguém com sensibilidade para o cargo. Alguém que entenda os jogadores, saiba ler os sinais do balneário e tenha conhecimentos profundos do jogo que lhe permitam entender os pontos fortes e fracos do plantel a todo o momento. Na minha opinião, o Presidente não é essa pessoa.


Querem exemplos deste amadorismo?

▶️ As vendas precoces de Bernardo Silva, Cancelo, Guedes e Renato Sanches, que mal tiveram tempo para sentir as camisolas vermelhas no corpo. 3 deles foram vendidos poucos anos depois por valores muito superiores aos que recebemos, situação perfeitamente previsível dado o potencial demonstrado pelos atletas.

▶️ O falhanço do penta. Num ano em que o principal rival não tinha dinheiro para reforçar a equipa achámos que podíamos atacar um campeonato sem reforços dignos desse nome e sem um único GR à altura. Qualquer coisa servia! Os resultados foram os que se viram: zero títulos e a pior prestação de sempre na Liga dos Campeões.

▶️ A gestão da situação de Rui Vitória, um treinador que esteve um ano a mais no clube por teimosia e arrogância de LFV que era o único que nele via capacidade para dar a volta à situação quando era óbvio que o seu tempo se tinha esgotado. O episódio das luzes é surreal e fica para a história como um exemplo cabal da teimosia e orgulho do Presidente.

▶️ A saída de 2 avançados em Janeiro deste ano, deixando a equipa apenas com 2 soluções para o centro do ataque, sendo que uma delas apresenta uma lesão crónica nas costas. Bastava Seferovic se ter lesionado e hoje não estaríamos a falar em reconquista.


LFV é um homem de negócios com uma excelente visão estratégica e é nisso e na gestão do clube que se deve concentrar. Acredito que, no dia em que a pasta do futebol profissional for entregue a alguém que entenda verdadeiramente do assunto, o Benfica dará um salto qualitativo gigantesco, tanto a nível desportivo como financeiro aproveitando o embalo do sucesso nos relvados.


Fora dos relvados pede-se um discurso menos populista e uma defesa intransigente dos interesses do Benfica, seja contra quem for.

Saiba LFV colocar os interesses do clube à frente do seu ego, é esse o meu desejo para o futuro.

 
 
 

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2 comentários


Nuno Picado
Nuno Picado
12 de jun. de 2019

Olá, Luís! Antes de mais agradeço o teu comentário. É verdade, mas foi uma lesão sem gravidade. Estava a pensar numa que o afastasse até ao final da época, tipo a do Gabriel. Mas mesmo assim viu-se as dificuldades da equipa sem o Seferovic em campo... foi uma decisão de grande risco que nos podia ter custado muito caro!

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Luís Lima
Luís Lima
11 de jun. de 2019

Boas Nuno! Concordo com tudo o que disseste, mas quero só deixar um à parte: no último ponto que referes (das saídas do Castillo e do Ferreyra), dizes "Bastava Seferovic se ter lesionado e hoje não estaríamos a falar em reconquista." O Seferovic, esteve, de facto, lesionado durante algum tempo durante o final da época.


Abraço!

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