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Memórias de visitas ao Porto

Em dia de mais uma visita ao Dragão para o jogo que desperta mais emoções antagónicas em Portugal, decidir puxar a cassete atrás e relembrar algumas das minhas experiências a acompanhar o Benfica no campo do rival.


1999/2000

A minha primeira visita ao reduto dos dragões foi em 99/00, derrota por 2-0 com golos de Capucho e Jardel. Nesta altura tinha 17/18 anos e já frequentava as curvas da Luz há algum tempo, mas as minha aventuras em jogos foram limitavam-se aos jogos perto de Lisboa. Desta vez aproveitei boleia do meu padrasto, que ia ao Porto nesse dia para uma reunião, e convenci a família que fazia todo o sentido aproveitar para ir ao jogo. Um conhecido arranjava um bilhete no Porto, a coisa parecia perfeita! Lembro-me de ter insistido várias vezes para que o bilhete fosse para o sector visitante (santa ingenuidade) e garantiram-me que assim seria, pelo que fui tranquilo com um cachecol vermelho pronto a colocar ao pescoço. Quando cheguei ao Porto percebi que afinal o bilhete era para a arquibancada, uma espécie de segundo anel na central oposta ao sector visitante. Meti o cachecol no bolso do casaco e lá fui eu para o meio deles.


Posso dizer que para primeira experiência fiquei logo vacinado para o que iria encontrar nos anos seguintes: um clima pesado e o Benfica a apresentar-se amedrontado. O jogo foi de tal maneira desnivelado que até o Chaínho parecia o Zidane, por isso acabei por sair antes do final porque já não aguentava mais ouvir "Maria Amélia" sempre que o Nuno Gomes tocava na bola. Já cá fora ouvi mais um festejo vindo do estádio e percebi que tinha ocorrido mais uma carga policial sobre os nossos camaradas na bancada, outro clássico das Antas dos anos 90.


2001/2002

Mais uma visita, mais uma derrota. Viagem feita de autocarro e muita confusão à chegada. Lembro-de perfeitamente de ver elementos das claques rivais junto aos nossos autocarros sem qualquer polícia por perto. Reinava um sentimento de total impunidade, tal era o à vontade com que atiravam pedras, cuspiam e insultavam nas barbas dos agentes responsáveis pela segurança.

Do jogo só me recordo da esperança inícial com o golo de Simão, que rapidamente desapareceu à medida que Deco foi tomando conta do jogo, e do apoio brutal que veio do nosso sector. O nosso teinador era o Jesualdo e contávamos com craques como Júlio César, João Manuel Pinto e Fernando Aguiar. Ainda não era "o" Porto de Mourinho mas para lá caminhava. Derrota justa e, que me lembre, sem casos. No regresso cenas muito tristes entre benfiquistas que, felizmente, hoje dificilmente aconteceriam.


2002/2003

A viagem foi feita de comboio, o que era uma novidade na altura visto que as deslocações eram quase sempre feitas de autocarro, e isso significava que haveria um cortejo da estação dos comboios até à chegada ao estádio. O caminho a pé foi a confusão que se esperava! Os Diabos chegaram primeiro e levaram com a fúria dos locais que atiraram de tudo e mais alguma coisa ao cortejo. Felizmente iam munidos de capacetes das obras, o que poderá ter evitado algumas cabeças feridas. No grupo em que ia inserido a coisa foi mais calma, mas notava-se perfeitamente que a nossa presença naquelas ruas não era bem-vinda.