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O Benfica e a perigosa arte de navegar à vista

▶ Texto enviado pelo benfiquista Tiago Ferreira


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NOTA: A opinião aqui transmitida é da inteira responsabilidade do seu autor e não representa, necessariamente, a opinião do Benfica Independente.

A iminente saída de José Mourinho para o Real Madrid serve como o espelho mais nítido da distância que separa o amadorismo emocional do rigor profissional. Enquanto em Madrid se discutem cêntimos e se esgrimem argumentos para evitar o pagamento de uma cláusula de três milhões de euros, na Luz o cenário é de uma passividade gritante. Florentino Pérez gere o Real Madrid com a frieza de quem sabe que cada euro investido exige um retorno desportivo e financeiro, mas entre nós a gestão continua a ser feita de coração nas mãos e olhos postos na próxima manchete de jornal. Se o sucesso bater à porta na próxima temporada - com ou sem Champions, pois a altura da redação deste artigo ainda parece possível lá chegar - será puramente por obra do acaso, pois a estrutura que deveria garantir esse mérito parece ter-se dissolvido numa nuvem de decisões impulsivas.


A diferença de filosofias é abismal e deveria envergonhar qualquer sócio atento. No clube blanco, a racionalidade impera e a negociação por Mourinho é um exemplo de como um clube a sério protege o seu património. Por cá, o Benfica continua a ser um poço sem fundo onde se despejam vinte ou trinta milhões de euros em novos cromos para a caderneta sem qualquer critério aparente. O aparente interesse em nomes como Zalazar ou Felipe Augusto para o plantel mostra que o padrão se mantém inalterado. Contrata-se por impulso, para entreter os adeptos e alimentar uma ilusão de competência, quando na verdade estamos perante uma ausência total de plano.


Chegamos a maio num estado de indefinição que beira a negligência. Não temos um treinador confirmado, não temos um projeto desportivo enunciado e, ainda assim, já andamos no mercado a tentar fechar jogadores. Esta é a negação absoluta do que deve ser a gestão de um clube de elite. Como se pode escolher um ativo de milhões sem saber que sistema tático será utilizado ou que perfil de jogo o futuro técnico pretende implementar? É colocar o carro à frente dos bois e esperar que a inércia nos leve ao destino desejado. Nesta altura, pouco importa se o escolhido será Marco Silva, Rúben Amorim ou qualquer outro nome, porque o problema é estrutural e não apenas individual.


A direção atual parece acreditar que o sucesso se compra a granel, esquecendo que o mérito nasce da organização e do método. Vivemos num clube onde não há rei nem roque, onde o critério desportivo foi substituído pelo marketing da esperança. Enquanto em Madrid se perdem horas para chegar a um acordo que resulte num custo zero, aqui desperdiça-se o futuro em investimentos cegos. Se a próxima época nos trouxer alegrias, que ninguém se iluda, será por sorte e nunca por mérito de quem nos dirige. A gestão desportiva do Benfica tornou-se um exercício de entretenimento para as massas, quando deveria ser a bússola que nos guiava rumo à excelência europeia que tanto apregoamos mas que tão pouco praticamos.  

 
 
 

2 comentários


Nuno
10 de mai.

A análise ao comportamento da nossa direção e a falta de plano, está certíssima.


A comparação com o Real Madrid, discordo. Nem me parece que seja boa referência sobre como bem gerir. Nem o seu contexto é comparável ao nosso.


Pouco me importa o que o Real faz ou como decide.


Importa, muito, a total falta de planeamento do Benfica.

O que já era evidente nos últimos 3 anos, evidente continua, neste ano e na preparação da próxima época.

No futebol do Benfica não se fazem planos. No Benfica não se pensa a prazo.

Não há um projeto. Há humores, há resposta a eventos fortuitos.


O que há, também, é a maior fonte de receita operacional. E uma formação que…


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Emanuel Almeida
08 de mai.

"Florentino Pérez gere o Real Madrid com a frieza de quem sabe que cada euro investido exige um retorno desportivo e financeiro".

Os outros fazem tudo bem. Nós fazemos tudo mal.

Este ano o Real Madrid é um grande exemplo de retorno desportivo e financeiro. :)

Até (tal como nós, que fazemos tudo mal) mudaram de treinador com a época a decorrer, tal não era o sucesso.

Mais recentemente até criaram departamento de pugilismo.

Haja paciência.


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