Sirvam o Benfica. Não se sirvam dele.
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▶ Texto enviado pelo benfiquista David Duarte
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“Respeitem, sempre, o dinheiro do Clube. É dinheiro de gente simples e humilde. É dinheiro do esforço de gente pobre que dá, porque gosta muito do Benfica. Sirvam-no. Não se sirvam dele!”
Joaquim Ferreira Bogalho - 20º Presidente do Sport Lisboa e Benfica, o do Estádio da Luz.
Leio tantas vezes esta citação que é curioso me faltarem detalhes sobre ela. Por
exemplo, os que o tempo poderá ter apagado: não é clara a data nem contexto em
que foi proferida, embora possamos alvitrar: talvez já após a epopeia que levou à
inauguração do Estádio da Luz, em algum discurso solene. Não sou historiador, mas
parece-me plausível. Certamente por nos remeter ao legado de Ferreira Bogalho e
como se edificou uma catedral assente no esforço e devoção de um clube que
conhecia e respeitava muito bem os seus valores fundadores.
Não sou de intervir fora do grupo da bola. Por norma, não considero que o assunto do
dia de cada dia mereça a minha posta de pescada. Não porque a considero mais
exclusiva ou menos válida. Seja por pequenez, pequenez de espírito ou até falta de
espírito, não é defeito, é feitio, o que não me diminui o direito à indignação! Então,
desta vez, é de rajada. Considerem talvez um desabafo ou mesmo um pedido de
ajuda.
Incomodou-me profundamente ler na manhã de 11/08/2026 que “os sócios com Red
Pass podem aceder à App do Benfica e solicitarem, se assim o desejarem, o devido
reembolso em carteira virtual”:
- Não se identifica motivo para não solicitar o reembolso. Afinal, todos vimos na TV
que não estava lá ninguém e, atendendo às filas de espera para novos RP dos
últimos anos, (no mínimo) muita gente pagou para assistir àquele jogo;
- Conhecemos a realidade do país e o Benfica, pela sua dimensão e dispersão,
naturalmente acaba a ser uma amostragem dessa realidade personificada na
população e, neste caso, no universo de sócios, mais concretamente os detentores
de RP. Facilmente entendemos que um RP é (no mínimo) um esforço financeiro
que não está ao acesso de todos e representa certamente e para muitos um
sacrifício: sai mesmo muito caro ir à bola, é um luxo;
- Não posso deixar de singularizar a forma como o “reembolso” pode ser solicitado:
via app. Bem depois, por meio de um asterisco, esclarecem que esta solicitação
pode afinal ser via Linha de Apoio do Benfica ou na loja no estádio. Esta adenda já
chegou com menos pujança aos meios de comunicação e à espuma dos dias. É de
esperar que, por menor literacia digital, (no mínimo) muitos sócios com mais idade
tenham (no mínimo) dificuldades em aceder a este “reembolso”. Invocando
novamente a premissa de Benfica enquanto amostragem da realidade nacional,
estamos perante um número significativo de vulneráveis a esta situação. Não vejo
que o argumento enfraqueça com um asterisco que não coube em nenhuma SMS
(no mínimo), daquelas como as da Glassdrive, Norauto, Europcar, loja Damatta,
Repsol, Sana, Suits inc. (Olha! E assim do nada, lembrei-me daquilo do sacrifício de
ir à bola!) ou apelos à votação virtual para apreciação do District.
- O “reembolso” ser efetuado via wallet virtual também merece o meu comentário: o
dinheiro veio da minha wallet, aquela tenho no meu bolso, que suporta as minhas
outras despesas, e cai na wallet virtual. Subentendem mais uma vez que a wallet
virtual passou a ser a tal wallet que temos no bolso. O dinheiro jamais sairá do
mesmo sítio, é um circuito, portanto. Não me resta então derivar para o tema do
“fraseamento”. Assim sendo, “reembolso” é um termo discutível, quando muito é um
crédito. Este “erro de engano”, perante tudo o em cima exposto, não me parece um
pormenor insignificante, no limite (ou mesmo no mínimo) é ironia;
- O cálculo dos 4,7% e 3,6% simplesmente aparece enquanto O resultado final.
Indicam que é suportado por uma média e uma previsão para o primeiro jogo do
campeonato. O valor é então este porque “foi o que deu aqui na conta que a gente
fez”, e terminam as explicações dando lugar a opacidade (no mínimo);
- Por fim, 3 dias para solicitar o “reembolso” se assim o entendermos é (no mínimo)
muito curto. 3 dias a contar “já amanhã às 10h”. Transmite a ideia de tentativa bem-
sucedida para a redução da exposição do clube a um risco, que se trata na verdade
de um reembolso devido.
Por ignorância não me prenuncio sobre a legalidade. Provavelmente nada disto é
juridicamente má-fé, mas toda esta fricção não tem como não ser entendida como
intencional. Boa-fé não será, muito menos à Benfica.
Não compreendo qual o peso de uma mais-valia para que todo o modelo de
“reembolso” esteja desenhado para reduzir o seu valor em prol da otimização da
operacionalidade financeira. Sugere que a filosofia e espírito do modelo não prioriza
ressarcir os seus sócios. Até porque não se pode considerar isto uma “perda”
exclusiva do clube.
O nosso grandioso passado mostra-nos marcas de superação de dificuldades a todos
os níveis com a ajuda da boa vontade e até mecenato ou voluntariado dos sócios e
adeptos, à Benfica. Foi isto que nos ergueu para o maior de Belém, de Lisboa, de
Portugal e do mundo, de campo em campo para uma catedral, um palmarés e uma
Mística.
Este episodio dá boleia à validação do chavão: “este clube trata os seus sócios como
clientes. Se os sócios tratassem o clube como empresa, dificilmente seriam clientes
satisfeitos”. Tenho esperança que muitos concordem e se identifiquem com isto. Que o
episodio sirva para uma reflexão mais sustentada que isto. Estamos a perder todos
mínimos exigíveis.
“Cada adepto gasta 22 euros por jogo. Queremos chegar aos 40 euros em cinco anos”
Nuno Catarino em 2025 - 3º diretor financeiro do 34º Presidente do Sport Lisboa e Benfica, o do District.
VIVA O BENFICA!
Um Benfiquista dos 100%





Tudo dito por este caríssimo, só mais um exemplo entre muitos dos sócios a serem tratados como clientes.