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O grito

Tive a sorte de ser um de poucos milhares de benfiquistas que tiveram o privilégio de assistir à vitória do Benfica no Dragão. Creio que nunca me teria perdoado se não tivesse acompanhado o clube neste teste difícil, mesmo que o resultado tivesse sido outro. Mas antes de me debruçar sobre o que se passou neste sábado permitam-me que recue uns anos atrás, mais concretamente ao dia 13 de Abril de 2016.

Não conseguiu lidar com a passagem do Glorioso… para aquela espécie de Benfica dos anos 90, foi demais para ele. Mas naquele dia finalmente cedeu à minha pressão, comprei os bilhetes e informei que íamos sem colocar outra hipótese, e assim foi.

Neste dia o Benfica jogou em casa frente ao poderoso Bayern Munique e finalmente consegui convencer o meu pai a regressar à Luz. Já tinham passado muitos anos desde a sua última visita, não que tivesse deixado de acompanhar o clube, via sempre os jogos e sofria da mesma maneira, mas problemas de saúde e a tremenda desilusão na altura do Vietname afastaram-no do estádio. Passou de detentor de um camarote na antiga Luz (mesmo atrás dos NN… e como isso me influenciou uns anos mais tarde!) a adepto de sofá. Não conseguiu lidar com a passagem do Glorioso… para aquela espécie de Benfica dos anos 90, foi demais para ele. Mas naquele dia finalmente cedeu à minha pressão, comprei os bilhetes e informei que íamos sem colocar outra hipótese, e assim foi.

Nunca o tinha visto daquela maneira, aquilo foi alegria absolutamente genuína. Uma felicidade que já não lhe via há vários anos mas ali estava ela, a plenos pulmões na sua casa e pelo seu Benfica.

Custou-lhe subir os degraus para o piso 3, mas lá conseguimos chegar ao nosso lugar. Notava nos seus olhos a nostalgia dos jogos europeus da antiga Luz, viu ao vivo o Benfica – Marselha e várias outras noites de glória benfiquista, e manteve-se calmo até ao início do jogo, quase sem falar. Mas quando o Eliseu pegou na bola pelo lado esquerdo e fez um cruzamento largo para o Jiménez marcar de cabeça, anos de frustração saíram-lhe pela garganta num grito de tal modo impressionante que mal festejei, surpreendido. Nunca o tinha visto daquela maneira, aquilo foi alegria absolutamente genuína. Uma felicidade que já não lhe via há vários anos mas ali estava ela, a plenos pulmões na sua casa e pelo seu Benfica. Foi a última vez que o vi verdadeiramente feliz e só por isso valeu a pena todo o esforço para o levar à Luz. É das memórias mais importantes que levo do meu pai e só podia ser do nosso Benfica.


E no sábado lembrei-me dele. Os golos dos nossos rapazes foram vividos de uma maneira tão brutal que se alguém acendesse um isqueiro naquele momento a bancada explodia, tal a energia que irradiava do nosso sector. Foi impressionante e será mais uma memória que levarei para toda a vida: o nosso Benfica a ganhar sem espinhas no Dragão, contra tudo e contra todos, depois de tudo o que nos têm feito passar nos últimos anos. Há coisa melhor que isto? Duvido.

Mais do que uma vitória, porque isso nunca é garantido, esperava que o Bruno Lage montasse uma equipa guerreira, sem medo, e que jogasse para ganhar.

Quanto ao jogo, foi aquilo que ambicionava. Mais do que uma vitória, porque isso nunca é garantido, esperava que o Bruno Lage montasse uma equipa guerreira, sem medo, e que jogasse para ganhar. E foi precisamente isso que aconteceu. Sinto um tremendo orgulho e tenho a alma cheia, mas também é preciso lembrar que não jogamos apenas para ganhar ao Porto, isso é apenas um passo na caminhada para o título e acredito que vamos lá chegar, hoje mais que nunca!


Um grande abraço e um agradecimento especial a todos os que partilharam esta aventura comigo, aos conhecidos do costume e aos desconhecidos, mas também aos que não puderam ir e mesmo assim sofreram “como cães” por esse mundo fora. Perdoem-me o vernáculo mas não vejo outra forma de descrever a coisa: o Benfica é do caralho!

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