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O meu Benfica

Nasci há 18 anos e sou, com um enorme orgulho, o sócio nº 37948 do Sport Lisboa e Benfica. Quando vim ao mundo, estava destinado que o vermelho e branco me iria acompanhar para sempre e fazer parte do meu crescimento, de tal forma que, como um bom pai deve fazer, fui primeiro registado no Estádio da Luz do que no Registo Civil.


Vejo o Benfica com olhos de ver desde a época 2009/10 e, por isso, tenho a sorte de não ter acompanhado os dolorosos tempos de Vietname. Contudo, é extraordinário constatar que o nosso clube é tão grande que na sua mais de centenária história, o momento mais baixo que teve é comparado à mancha mais negra de um dos maiores países do mundo… Maior que Portugal, não é verdade?


Assim, cresci, a ouvir falar dos 3-6 do JVP em Alvalade, este que apesar de nunca o ter visto, de tanto o saber de cor é o jogo da minha vida. Para mim, isto é a maior magia que o Benfica me trouxe. Passar dias a ouvir do meu pai que o Isaías precisava de 5 oportunidades para marcar mas que quando era preciso a bola estava lá dentro. Saber, desde que me lembro de mim mesmo, que no Glorioso jogava o número 10 da seleção brasileira, o gigante Valdo. Isto para mim, é Benfica.


Diga-se o que se disser, é muito mais do que futebol. É uma ligação emocional inexplicável, que passa de geração em geração, como se de um testemunho se tratasse e é criada dia após dia, assente numa saudade imensa de algo que nunca (ou quase nunca experienciei). O Benfica, que nasce nas traseiras de uma pequena (mas tão grande) farmácia, desde cedo se percebeu que era demasiado grande para o nosso querido Portugal.


Por isso, diria que é praticamente obrigatório para qualquer benfiquista que se preze, ouvir os tratados que têm passado pelo excelente programa Benfica de Quarentena, onde se dá lições daquilo que é este clube. O meu Benfica não são os 120 milhões do João Félix ou o melhor resultado financeiro da história do clube. O meu Benfica, é o 3-2 ao Barcelona, é o 5-3 ao Real Madrid, é ir ganhar ao Olímpico de Roma, é o ombro (até prova em contrário) de Vata e é bater-me de igual para igual com o Milan de Arrigo Sacchi.


O meu Benfica, é perder Paulo Sousa e Pacheco para uns meses depois ver a subtileza do JVP a deixar passar a bola para o Isaías e silenciar todo um estádio. Já dizia o enorme Cosme Damião: “No imediato, o dinheiro vence a ambição. No futuro, a dedicação goleia o dinheiro”.


Este, sim, é o meu Benfica, apesar de nunca o ter visto presencialmente. Que aprendamos com estes senhores que nos têm banhado de benfiquismo e de mística por estes dias para chegarmos novamente onde pertencemos. Que haja coragem de afirmar aquilo que somos e pelo qual fomos reconhecidos e que não nos deixemos contentar com idas ao Marquês no final da temporada, que tanto nos tentam vender.


Desejo com isto, reacender novamente a chama das noites europeias, dos grandes jogos contra os nossos rivais e sonhar, que num futuro próximo de todos nós, os índios partam de Norte a Sul, passando pelas ilhas e por todo esse mundo vermelho e branco e que caminhemos novamente entre sol, chuva, ou neve, mas lá iremos em busca daquilo que nos tem faltado nos últimos anos.


Grande, incomparável, extraordinária massa associativa. Que seja ela a trazer de volta a orelhuda para a Luz.


▶ Texto enviado pelo benfiquista Duarte Chastre


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