leaderboard.gif

“O que interessa é ganhar", ou a história dos três porquinhos

Penso que será pacífico afirmar-se que o Benfica 2019/20 está a jogar mal. Salvo um ou outro lampejo de qualidade de jogo, aqui ou ali, como os segundos 45 minutos na supertaça, a esmagadora maioria das exibições da equipa na corrente época tem alternado entre o sensaborão, o medíocre ou mesmo o mau.


Não serve este texto para discutir as razões para o fraco desempenho da equipa do ponto de vista de quem assiste a um espectáculo (embora, sobre esse tema, tenha a minha opinião bem formada), serve sim para alertar para o perigo do “interessa é ganhar”, argumento irrefutável que branqueia a insuficiente qualidade das exibições a que vimos assistindo esta época.

Sim, é verdade. O que interessa é ganhar. Somar vitórias, pontos, vencer títulos e acumular troféus no museu.


Todavia, considero preocupante que se resvale (que o Benfica resvale), perante quem questiona o modo como se ganha, para o fácil e cómodo argumento do “interessa é ganhar”. Não resisto ao paralelismo com o conto de Joseph Jacobs, “Os Três Porquinhos”, que relata a história de três pequenos suínos que, saídos do lar da sua mãe para encarar uma vida independente, construíram cada um a sua casa, uma de palha, uma de madeira, uma de tijolo e cimento. Como é lógico, apenas uma resistiu à voracidade de um lobo faminto e deu as condições ao respectivo porquinho para viver uma vida longa, próspera e lhe permitiu alargar a sua família.


Ora, o futebol do Benfica 2019/20 é uma casa de palha na Europa, que tem sido varrida por lobos de todo o continente, tendo apenas resistido a uma investida de um ferido lobo francês; e é uma casa de madeira em Portugal, que tem resistido perante a doença e fragilidade dos lobos que por cá pululam – sem que, no entanto, não tenha deixado de ficar gravemente danificada numa das investidas iniciais do inimigo.

É evidente que a casa que construímos, no curto prazo, dá para viver. Mesmo considerando que, de vez em quando, temos de visitar o covil dos lobos lá fora e que isso, quase invariavelmente, no causa dissabores.

Mas o Benfica, se quer uma vida longa, próspera e feliz, se quer visitar o covil dos lobos e, de quando em vez, sair apenas com uns arranhões ou mesmo orgulhosamente ileso, tem de pensar seriamente em construir uma casa de tijolo e cimento. E isso implica mudar os materiais de construção e, estou em crer, implicará também mudar o arquitecto.

Bem sei que o tijolo e o cimento não nos colocam a sa