Por que vou, no dia 25 de outubro, colocar o Benfica Acima de Tudo
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- 11 de out.
- 5 min de leitura
▶ Texto enviado pelo benfiquista Tiago Marques, sócio 15065
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NOTA: A opinião aqui transmitida é da inteira responsabilidade do seu autor e não representa, necessariamente, a opinião do Benfica Independente.

Cosme Damião disse em 1925:
”Todo o sócio de um clube que o queira dirigir, tem o dever iniludível de vigiar o fiel cumprimento dos estatutos e regulamentos, pois estes têm direitos e deveres que implicam uma disciplina, e, quem os quiser fazer respeitar, deve começar por respeitá-los.
Os dirigentes a quem se confia a boa marcha de uma associação, tem que cumprir estritamente as decisões da maioria dos seus eleitores, pois não é indisciplinando-se contra a vontade da maioria, que se consegue fazer triunfar a razão e a justiça.
Quando nos associamos a um clube não deve ser com o fito de destacarmos a nossa personalidade, mas sim para defender os seus interesses sacrificando muito o nosso amor próprio e sempre o "eu" pessoal.”
Olho para o que tem sido um dos lemas da campanha, onde os estatutos têm sido defendidos impreterivelmente, doa a quem doer, e sem medo de se ir em direção a algum buzz menos popular. Os sócios têm de ser soberanos porque de todos deve emanar o Benfica e se os sócios decidiram, está decidido. Tudo certo, portanto.
Félix Bermudes disse, em maio de 1944:
”Sou Benfiquista porque tenho os olhos fitos naquela estrela dos Reis Magos, que me vai guiando – nesta hora de provação em que o mundo agoniza – para uma aurora de fraternidade, que há de ensinar as almas a construir uma humanidade melhor. Esse espírito de fraternidade uniu a Família Benfiquista num só bloco, em que o rico e o pobre, o iletrado e o culto, o poderoso e o humilde perdem de vista as diferenças que os separam, e se nivelam na mesma devoção a uma bandeira, a um emblema, a um símbolo, a um ideal!
Sou Benfiquista porque, nesta família social, sinto retribuído por todos o respeito que a cada um manifesto. Porque o lar benfiquista fechou a sua porta à indisciplina, à grossaria, à brutalidade, à insolência; e a harmonia da sua vida interna reflete-se luminosamente na sua missão externa;
Sou Benfiquista porque o Benfica sabe poupar e ajudar os fracos; mas a sua águia ergue-se às alturas dos fortes e paira muitas vezes acima deles;
Sou Benfiquista porque adoro os desportos, e em todos o Benfica afirma a sua presença, atingindo um nível máximo em numerosos campos, levando representação condigna a todas as categorias, pondo a sua popularidade ao serviço da causa;
Sou Benfiquista porque a devoção ao meu clube não me priva da liberdade de pensar, e de tributar o meu apreço aos seus competidores, quando sabem merecê-lo, quando sabem cumprir com nobreza a sua missão;
Sou Benfiquista porque ajudei a construir, com uma parcela da minha própria alma, a catedral rubra da Alma do Benfica.”
Leio estas palavras de Félix Bermudes e vejo uma aplicação das mesmas no programa apresentado no passado dia 8, no que é também um regresso aos ideais que me fizeram apaixonar por um clube maior que Portugal, feito por todos, para todos e onde se conta efetivamente com todos. Onde se propõem a um Benfica fiel a si mesmo. Porque o associativismo não pode ser apenas um chavão, os sócios devem contar para as decisões, as críticas devem ser ouvidas, as opiniões devem ser respeitadas. O amor à distância pode e deve ser retribuído.
Num clube onde a democracia chegou antes de chegar ao país, deve imperar a transparência, a seriedade, a comunicação bidirecional, a alma, a identidade e a memória. Porque um clube sem memória está automaticamente a condicionar o seu futuro. E é tudo isso que vemos refletido no primeiro pilar no programa, que culmina com o seu lado social, mostrando que o Sport Lisboa e Benfica é um clube inclusivo onde de facto todos contam. E são mesmo Todos, Todos, Todos!
Mario Wilson disse em 2012
”Por muitos desgostos que possamos ter, valores mais altos se levantam. O valor mais alto que se levanta em termos futebolísticos, chama-se Benfica. Obrigado!”
E é aqui que entramos nos restantes pilares, um Benfica ganhador um Benfica dos Benfiquistas, um Benfica moderno.
Ribeiro dos Reis classificou o Benfica como clube escola: “O Benfica não é apenas uma equipa de domingo; é um estado de espírito que começa no treino e termina na vida.”. Ribeiro dos Reis disse também “O Benfica tem uma alma que o dinheiro não compra e que o tempo não gasta.” E disse ainda “Nasci antes do Benfica, mas cresci com ele. Vi-o pequeno e generoso, e vejo-o grande sem perder a generosidade. Isso é ser Benfica.”
A facilidade com que ao ver todas as 53 páginas e 4 pilares do programa, conseguimos ir vendo que as propostas que nos são colocadas se enquadram em várias declarações de nível histórico superior na centenária odisseia Benfiquista, e, faz-nos entender como esta equipa, aos dias de hoje, com a tecnologia de hoje, se propõe a respeitar a memória, e recuperar os pergaminhos do passado, sem nunca comprometer o futuro.
E concluída a análise dos papeis, há que olhar para as fotografias. E é aqui que vemos a equipa. Onde parece que se jogou um misto de tetris com puzzle 3D onde todas as peças encaixam de forma geométrica sem folgas, como que mostrando que cada nome foi escolhido a dedo para aquilo que se espera na sua função. Acrescido a isto o conhecimento enquanto equipa que já trabalha há meses faz com que não possa haver dúvidas e nos crie a ideia que vale mesmo a pena sonhar com um novo-velho Benfica. O Benfica de 2025, mas com os valores que sempre o caracterizaram. O Benfica que veio da Casa Pia para se fundar, enquanto Sport Lisboa, na Farmácia Franco. Que se fundiu com o Sport Benfica para se tornar Sport Lisboa e Benfica. O Benfica que José Maria Nicolau deu a conhecer ao país pelas estradas de Portugal e apaixonou tantos portugueses. O Benfica que se profissionalizou com Otto Glória no comando técnico. O Benfica que contra todas as expetativas construiu o seu estádio sob a liderança de Joaquim Ferreira Bogalho. O Benfica que dominou a Europa sob a liderança de Maurício Vieira de Brito e o comando de Bela Guttman. O Benfica hegemónico das modalidades e que enchia os pavilhões de norte a sul de um país onde a cultura desportiva podia ser melhor. Um Benfica que se tornou absolutamente hegemónico no futebol português sob a presidência de Borges Coutinho.
Um Benfica que como disse Laurent Moisset, “é eterno, não conhece fenómenos de erosão que façam perigar as suas fundações. O Benfica é uma lenda”.
Como defendi junto de amigos, o meu apoio à equipa de João Noronha Lopes não é um ato de fé. Fui conhecendo as pessoas, fui conhecendo as ideias, e a identificação é quase total, E por tudo o que disse acima é uma equipa que vê o Benfica como eu sempre o vi e sempre o sonhei.
E é colocando o Benfica Acima de Tudo que podemos reaver esse Benfica.
O nosso Benfica.
Viva o Benfica!





a referencia a ribeiro dos reis não poderia ter sido melhor ele que foi achincalhado pelos culambistas, seguidistas e situacionistas da altura, no jornal do clube, por analisar como via o mal que a equipa de futebol jogava, e os consequentes maus resultados.
passados mais de oitenta anos infelizmente esta tudo igual.