21 dias depois, o naufrágio anunciado
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▶ Texto enviado pelo benfiquista Tiago Ferreira
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Há precisamente 21 dias, lancei aqui neste espaço o artigo "O Benfica e a perigosa arte de navegar à vista". Na altura, critiquei a passividade gritante da Luz perante a iminente saída de José Mourinho e a total ausência de um plano estruturado para o futebol do clube. Volvidas três semanas, a passagem do tempo não trouxe respostas, trouxe apenas a confirmação dolorosa de que o amadorismo continua a reinar. O Benfica de hoje é rigorosamente o mesmo de há vinte dias: parado, amorfo e vergonhosamente ultrapassado pela concorrência direta.
Enquanto Sporting e FC Porto se movem no mercado com a agilidade de quem planeia o futuro, antecipando saídas e fechando contratações cirúrgicas como Zalazar ou Doumbia, na Luz assiste-se a um silêncio ensurdecedor. O plantel continua sem rumo e o próximo treinador permanece no limbo dos anúncios por fazer. Estamos totalmente reféns de umas eleições no Real Madrid para conseguirmos resolver o impasse que bloqueia a preparação da nossa própria temporada.
Os poucos defensores que restam a esta direção, divididos entre a cegueira ideológica e a narrativa oficial dos gabinetes, tentam agora justificar este atraso com uma ilusão financeira. Alimentam a tese de que, devido ao final do prazo da famosa cláusula dos dez dias, o Benfica irá receber uma verba a rondar os quinze milhões de euros pela saída de José Mourinho. Pura ilusão. Tal como afirmei anteriormente, o desfecho será uma saída a custo zero, fruto de um acordo amigável que deixará a estrutura encarnada sem argumentos e sem o dinheiro prometido.
Quando essa saída sem custos se oficializar, a longa espera pela contratação de Marco Silva parecerá ainda mais absurda e ultrajante. Sobre Marco Silva, reconheço as suas qualidades como bom treinador, mas a minha preferência sempre pendeu para um perfil muito mais disruptivo. Este plantel e esta estrutura precisam de um abano profundo, de uma revolução que quebre o marasmo atual. Se Rúben Amorim teria essa capacidade é uma incógnita, mas o meu entusiasmo residia em nomes como Carlos Vicens, que colocou o Sporting de Braga a praticar um futebol de excelência e com uma enorme qualidade europeia.
O futuro próximo do clube permanece cinzento e envolto em incertezas. A única certeza absoluta é a de que, se o Benfica acabar por receber alguma contrapartida na saída de Mourinho, esse valor servirá unicamente para alimentar a roda dos negócios cruzados com Jorge Mendes ou para recebermos jogadores excedentários do Real Madrid. Esta é a triste realidade que esta direção nos reserva: a total submissão aos interesses de terceiros em detrimento do sucesso desportivo do Sport Lisboa e Benfica.





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