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A Democracia e o Benfica



Estamos em final de época desportiva. Muito ainda para decidir nos Pavilhões é verdade, muita coisa decidida nos Estádios (o que ainda falta é no feminino).


Estamos todos num estado de espírito que vagueia algures entre a mágoa, a tristeza e a fúria. 

Em fevereiro, no pós Afonso Henriques, perguntei-me como tínhamos ali chegado.

Foquei-me naquilo que era mais visível aos olhos, no campo.

Estava errado. A ver pequeno, a olhar para a árvore em vez da floresta.


Não tem sentido discutir o corriqueiro do dia-a-dia quando o fundamental está errado.


Democracia. O Sport Lisboa, em 1904, nasceu democrático.

Assente nas ideias e ideais dos seus sócios. E assim se manteve. Democrático até quando o País não o era.


Muitos dirão que o Sport Lisboa e Benfica em 2024 é democrático. 

É dos seus sócios. 

Que pasme-se, até tem eleições. 


Mas ter eleições faz se uma organização democrática? Talvez, ou talvez não, se tenha perdido no tempo o facto de que no Estado Novo havia eleições. É isso suficiente?


Numa Democracia há poderes e contrapoderes. 

Onde estão os contra-poderes do Benfica?


Num Conselho Fiscal e Mesa da AG que neste momento são órgãos pouco mais que decorativos, sem legitimidade de eleição própria e completamente colados às Direções que na prática os elegem?

Numa Direção que ao mesmo tempo que tem poder executivo, também tem o Poder Disciplinar?

Na Assembleia Geral, onde a Militância é escassa e onde as perguntas mais incomodativas dos sócios são ignoradas?

Na “Oposição”, melhor dito alguns grupos organizados de sócios que, por mais ou menos meritória que seja a sua atuação, tem pelo menos desde o tempo de Vale e Azevedo um sentido depreciativo e o rótulo de oportunistas?



Numa democracia há prestação de contas.

Onde está a prestação de contas no Benfica?


Em Relatórios e Contas (do clube) opacos e que nem em AG podem ser mais detalhados?

Em impossibilidade geral dos sócios poderem discutir os R&C da SAD, mesmo que sejam o seu dono?

Em Assembleias Gerais marcadas para noites de dias úteis e sem possibilidade de participação remota?



Numa democracia há assumir responsabilidades e ações concretas daí vindas.

Onde está isso no Benfica?


Em estruturas hierárquicas no Clube que tornam impossível identificar quem toma decisões?

Em falhanços desportivos constantes que resultam apenas em palavras pífias?

Em mudar apenas treinadores para que tudo o resto fique na mesma?


Numa democracia há Liberdade.

De opinião. De expressão. De pensamento.

Sem a divergência causar represálias.



Em relação a Liberdade no Benfica, não é bem-vinda. 

O que se quer é unanimidades, massa acéfala e carneirismo.


Já dizia um Presidente Americano,

“A Democracia não é a ausência de conflito, mas a capacidade de lidar com conflito por meios pacíficos.”

Ou como eu prefiro, é eu dar tudo, a vida se necessário, para dar o Direito a outrem de discordar de mim.


O Benfica Mítico, Intocável, Glorioso fez-se de Democracia. Fez-se porque nos momentos difíceis nunca renegou aos seus Valores.

E desfez-se no Vietname. E nunca recuperou.


Se leste até ao fim e concordas, obrigado.

Se leste até ao fim e discordas, obrigado exatamente da mesma forma.


Está mais que na hora, se me perguntarem, para começar a dar a volta a 30 anos de anemia democrática.

A próxima Assembleia Geral em Junho é um ótimo momento para isso. Aparece. Nem que seja para discordar de quem pensa como eu.



Democracia não é um estado, são atos, a que todos nós somos chamados. E ela será tão forte quanto a nossa vontade de lutar por ela.

Enquanto houver um Benfiquista a lutar pela Democracia, haverá Sport Lisboa e Benfica.

Se deixar de haver Democracia no Sport Lisboa e Benfica, o Clube da Vénia morre.


Viva o Sport Lisboa e Benfica.


▶ Texto enviado pelo benfiquista João Santos.


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