top of page
leaderboard.gif

A Encruzilhada do Gigante

▶ Texto enviado pelo benfiquista Pedro Neves


Queres publicar um texto no nosso site? Envia por email ou pelo formulário do site.


NOTA: A opinião aqui transmitida é da inteira responsabilidade do seu autor e não representa, necessariamente, a opinião do Benfica Independente.

Caros consócios e adeptos benfiquistas, quero refletir convosco sobre o momento que o nosso clube atravessa.


O Benfica já ficou em sétimo lugar, já passou dois anos fora das competições europeias por não se ter classificado, viveu a bancarrota, salários em atraso e jogadores a rescindir por justa causa. Houve um tempo em que se apelou à caridade dos sócios através da “Operação Coração”. Quem é benfiquista há muitos anos sabe que o clube já atravessou momentos muito mais difíceis do que o atual.


O que verdadeiramente me preocupa hoje não é estarmos em terceiro lugar, mas a divisão crescente entre benfiquistas. No próprio estádio, o ambiente tornou-se pesado, intolerante ao erro, quase um castigo para quem veste a nossa camisola. Não é por acaso que muitos dos pontos perdidos têm sido em casa. O apoio transformou-se em pressão, e isso nunca ajudou equipa nenhuma a crescer.


Também é importante perceber o contexto em que muitos adeptos mais jovens vivem o futebol. Cresceram num tempo de redes sociais, em que tudo é imediato, as reacções inflamadas, reina a intolerância pela diferença e nos teclados descarregam as suas frustrações. A isso junta-se a influência dos simuladores de futebol nas consolas e dos jogos de gestão desportiva, onde tudo é controlável, os jogadores evoluem de forma quase perfeita, as contratações parecem resultar sempre e os títulos virtuais são fáceis de atingir. Essa realidade cria uma visão enviesada do futebol real, que é feito de erro, tempo, contexto, adaptação e falhas humanas.


Um benfiquista de verdade apoia o clube, as suas equipas e os seus atletas, sobretudo quando estão em baixo. Apoiar nas vitórias é fácil, mas o apoio é indispensável quando não se ganha. Os nossos rivais estão à frente no campeonato de futebol, mas também têm mérito. Reconhecer isso não diminui o Benfica, engrandece-nos.


Nos últimos 40 anos, o Benfica venceu apenas 12 campeonatos nacionais. Isso não é um acaso nem se explica apenas, como se lê, por Presidentes "trafulhas" ou "Bananas", ou treinadores "incompetentes" ou jogadores "medíocres" ao longo das últimas quatro décadas. É uma questão estrutural, profunda, que exige reflexão séria, estabilidade e união. Mas nenhuma estrutura se constrói com um clube em guerra consigo próprio.


Podemos olhar para outros grandes clubes históricos, como o Ajax ou o Anderlecht, que assentam a sua filosofia na formação e já tiveram glória na Europa. Também eles passam por ciclos de dificuldades. Devemos concluir que é o modelo assente na formação que está errado? Creio que não.

Será que é necessário combiná-lo com estratégias mais robustas de gestão e investimento?

Quantos grandes clubes vencedores na Europa funcionam hoje apenas com o modelo associativo clássico? 

O futuro do Benfica poderá passar por incorporar investidores de referência na sua estrutura acionista, dando maior músculo financeiro e competitividade? Estaremos preparados para aceitar uma SAD em que a maioria do capital não pertença ao clube ou aos sócios, como acontece na esmagadora maioria dos principais clubes das cinco maiores ligas europeias?


O Benfica sempre foi maior quando foi um só. Unidos, seremos sempre mais fortes!


Et Pluribus Unum. De muitos, um!

Viva o Glorioso Sport Lisboa e Benfica!

 
 
 

Comentários


⋆ E Pluribus Unum ⋆

MCMIV

bottom of page