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Benfica, win, win



Diz o povo que “largos dias têm cem anos”, imaginemos então o que pode o benfiquista fazer com cento e vinte. Quem anda por estes lados sabe que a história de uma coletividade nasce do sonho de alguns, mas que o seu real poder agregador emana de transformar o conceito de partilha num mantra vivido por todos.


Ser de um clube torna-se tão mais especial quanto mais dermos. Não há outro caminho possível: se deres muito, mais recebes. E viver um clube como o Benfica faz sentido porque o caminho só pode ser este: cantar a uma só voz, celebrar em uníssono, trabalhar para o bem comum. 


O Sport Lisboa e Benfica em que acredito é esta “estranha forma de vida” em que a vontade de Deus é o suspiro que antecede a bola bater nas redes. Ser do Benfica é saber que o nosso golo desafia as leis da física e trava o tempo. Stop. Olha em volta. Sente a energia, atenta aos mil olhos emocionados, às mãos ansiosas por se tocarem, àquela herança secreta que pula do avô à mãe, do pai ao filho, do irmão ao amigo, dos amigos aos desconhecidos. Play. Vai tudo abaixo, sem sairmos do sítio. Desculpem, não consigo descrever a emoção do golo. A minha, a tua, cada uma é diferente e, contudo, sentimo-la como nossa. 


Ser do Benfica, hoje tal como há 120 anos, é sentir. Não há outra opção. Este clube rima com emoção e isso é tão bom. Isso significa que, por vezes, perdemos a racionalidade? Sim. Deixamo-nos levar pelas emoções deste empate ser péssimo, do jogo ter sido mau — o quer que isso signifique —, deste jogador não correr o suficiente, e transformamos tudo em exigência. 


Exigir é uma das palavras de ordem destes tempos em que vivemos. Faz sentido. Queremos mais, merecemos mais. Mas o progresso e a evolução só chegam se fizermos por isso no estádio, nos pavilhões, nas Assembleias Gerais, na rua, com a nossa história. Ser do Benfica é dar sem saber o que vamos receber, porque, felizmente, recebemos sempre tanto.


Celebremos então o golo no último minuto, as eleições mais participadas, os títulos europeus, as presenças em competições, o primeiro jogo, a estreia a titular, a goleada, a exigência e o aniversário. Festejemos tudo o que temos direito porque tudo faz mais sentido quando figuras como Toni, Eusébio, Nicolau, Feher, Simões, Biri, Cosme, Pipi, Bento, Baptista, Shéu se juntam a Sven e dizem: Benfica, win, win.


De muitos, um.

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