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Deixem que vos conte uma história de amor

Não nasci benfiquista. Nasci fruto de amor e paixão mas sem clube. O meu pai e a minha mãe não eram adeptos de futebol. O meu pai tinha jogado andebol no Belenenses, mas fora isso não tinha qualquer índole clubística ou amor ao jogo.

Cresci, portanto sem jogar à bola com o meu pai. Lembro-me de o ver e de sentir todos os meus vizinhos celebrar a vitória do Porto na Extinta taça dos campeões europeus, numa altura em que ser um feito português era mais importante que tudo o resto. Ouvi falar pela primeira vez na importância do jogo, aquando da final do mundial de juniores em Lisboa e novamente quando o Futre é apresentado envergando o Manto Sagrado. Apaixonei-me pelo Benfica nesse dia.

No meu oitavo ano, calhei numa turma cheia de sportinguistas e de portistas. Era a mítica época de 93/94 e o meu amor pelo Benfica, em contraponto com a escola, foi evangelizando aos poucos o meu pai a amar também o Benfica. Anos mais tarde o meu pai faz-me uma surpresa e leva-me a um particular no estádio da luz contra o AC Milan, onde tive a oportunidade de ver Valdo e Roberto Baggio. Foi um dos dias mais felizes da minha vida.

Para o meu pai que agora via futebol comigo, que também torcia pelo Benfica (porque eu respirava Benfica em casa - e quão gostava ele de me chamar faccioso por isso), ser sócio era um não assunto. Por isso nunca o fui.

Fui vendo jogos ao vivo, acompanhei sempre o meu Benfica mas nunca tive oportunidade de lhe pertencer verdadeiramente.

Mas deixem-me voltar à história de amor. O meu pai teve um grave acidente de mota quando eu tinha 20 anos. Ficou em coma muito tempo. E os médicos diziam que ele reagia à minha voz. Portanto, todos os dias eu ia vê-lo ao hospital e sem nada para falar, falava do Glorioso. Sabes quem contratámos hoje? O Drulovic. Este ano vamos ganhar esta merda! Foi assim durante 6 meses, todos os dias a falar do Benfica.

O meu pai acabou por sucumbir após os 6 meses. E esses 6 meses, mais o que se seguiu, foram períodos bastante turbulentos. Tudo foi uma roda viva de problemas e emoções, mas no mar de dor que vivi, houve algo que me deu norte: o Benfica.

O Benfica ligou-me ao meu pai. O Benfica fez com que fosse possível passar aquele tempo. Foi o meu esteio e o meu farol.

Porque o meu pai acreditava que ser sócio era uma falácia, só o fui bastante tarde. Devo isso a uma constante procura par pertencer a algo que perdi com ele e que esta rapaziada do Benfica Independente me trouxe (primeiro o Talking to the doll, depois o Benfica FM e finalmente o Conversas à Benfica).

Ser como eles, ter aquela paixão aproximou-me por momentos do meu pai. E por isso fiz-me sócio há dois anos e fui votar ontem pela primeira vez (na verdade foi a minha mulher que deu o primeiro passo e me comprou o red pass).

O Benfica para mim foi e é o norte da minha vida, numa altura em que tudo desmoronou. Foi o esteio e garante de sanidade e por isso eu não admito que ponham em causa o meu amor e a minha dedicação a esta forma de viver. Ontem e hoje lá por não ter votado de acordo com a maioria ninguém me dá lições do que é sentir o Benfica. Ser do Benfica não é concordar e seguir cegamente. É questionar e querer melhor porque a ele amo acima de tudo e porque ele é o garante da minha sanidade.

Obrigado por lerem a minha história de amor.


▶ Texto enviado pela benfiquista Mário Vilela.

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