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Duas Linhas Vermelhas

Atualizado: Mar 18

[Texto enviado por Carlos Friaças]


A Centralização

Há algumas semanas assisti com inteira estupefacção à decisão do actual Governo em regulamentar que a partir da época desportiva 2028/2029 os Clubes estão impedidos de negociar e vender, de forma independente, os seus próprios direitos televisivos.

Num momento em que o país se encontra em Estado de Emergência, onde os problemas nos vários sectores de actividade são mais que muitos, a prioridade e preocupação do Governo é limitar a liberdade de Sociedades Anónimas Desportivas (ou Clubes de Futebol) de negociar de forma independente um dos seus maiores activos?

E mais estranha se torna esta prioridade quando estamos no início de 2021, e no final de 2023 (se não for antes) existirão novas eleições legislativas. Aliás, o mandato que resultará dessas eleições (a cumprir-se por inteiro!) ainda terminará ANTES da época desportiva que agora se pretendeu regulamentar.

Se o argumento do «aumento da competitividade» terá presidido a esta estrambólica prioridade, porque não regulamentou o Governo também os direitos de outras modalidades que são também elas altamente profissionalizadas (falo do Basquetebol, Hóquei em Patins, Voleibol, Futsal e Andebol). Não encontro outra explicação para tanta diligência que não seja prejudicar o Sport Lisboa e Benfica.

O Sport Lisboa e Benfica «vale», pelo menos, por metade do mercado. Há algum sector onde o Estado limite o funcionamento e o crescimento dos maiores «players»? Na sequência desta inusitada decisão, que espero sinceramente que um próximo Governo CORRIJA, a manifestação de regozijo mais ruidosa foi do actual Presidente da Liga Portuguesa de Futebol. Uma personagem que foi premiada e promovida por durante anos ter continuamente espoliado o Sport Lisboa e Benfica dentro das quatro linhas. Os detentores da 2ª e 3ª maior fatia do mercado não se manifestaram, depois do seu porta-voz e extremoso defensor dos seus interesses o ter feito. Sabem que a tornar-se realidade, o Sport Lisboa e Benfica perderá recursos financeiros e eles com toda a probabilidade ganharão.

Espero que os responsáveis do Sport Lisboa e Benfica decidam combater com todas as suas forças este inexplicável assalto aos seus interesses. Eu estarei na mesma trincheira neste combate, alertando para o perigo de estrangulamento que poderá resultar deste excesso de «regulação».


A Democracia

A minha segunda Linha Vermelha é a Democracia no Sport Lisboa e Benfica.

Pelo facto de ter escolhido assinar uma proposta de lista candidata aos corpos sociais (que não chegou a ser entregue, a do Movimento Servir o Benfica) diferente da dos actuais corpos sociais, fui exposto a alguns detalhes sobre o processo eleitoral de 28 de Outubro de 2020 que ainda hoje me inquietam.

No meu conceito de Democracia NÃO É ADMISSÍVEL ESCONDER URNAS. Tal como não é admissível remeter os descontentes com essa situação anti-democrática para os Tribunais. Que são lentos a decidir, como todos sabemos, e ainda mais neste contexto pandémico. Mas foi isso que o anterior Presidente da Mesa da Assembleia Geral do Sport Lisboa e Benfica decidiu fazer.

No próprio dia da acto eleitoral, que muito bem foi realizado com uma diversidade geográfica assinalável, assistimos à impossibilidade de os talões de voto serem contados em cada um desses locais. Segundo o próprio website do Clube, houve 38102 votantes, sendo que haveriam 32812 talões de voto a contar (85.79% de todos os VOTANTES), divididos por 25 locais diferentes.

Ninguém até hoje explicou porque é que os delegados das listas concorrentes NÃO PUDERAM CONTAR os votos nesses 25 locais. Se é verdade que no Estádio da Luz estavam quase 14000 votos para verificar, em 18 dos 25 locais havia (em cada um deles) menos de 1000 votos a contar.

As urnas foram retiradas por seguranças de uma empresa (ao serviço da SAD do Clube?) dos edifícios onde as votações decorreram e colocados em carros descaracterizados conduzidos por pessoas não identificadas.

E existem diversos vídeos a comprová-lo, tal como foram filmadas selagens «anedóticas» de algumas urnas.

Na informação que ainda está disponível no website do Clube (e também devidamente armazenada em arquivos Web) há também outro aspecto altamente perturbante: Somando os VOTANTES desses 25 locais com os votantes das outras 8 regiões de votação exclusivamente electrónica (que totalizaram 5433 VOTANTES), o total de VOTANTES é igual a 38245, enquanto na página principal são indicados APENAS 38102 votantes. Ninguém até hoje explicou esta discrepância [1], e nós, enquanto Sócios do Sport Lisboa e Benfica continuamos sem saber os resultados PARCIAIS de VOTOS em cada uma das localizações.

Falando com várias pessoas que no dia 28 de Outubro estiveram nos diversos locais de votação algo ficou claro para mim, que provavelmente não chegou ao conhecimento da maioria dos Sócios do Sport Lisboa e Benfica: Os delegados das Listas B e D apenas passaram o dia a contar VOTANTES, o que é totalmente inútil, pois o resultado de uma ELEIÇÃO é decidido pelos VOTOS.

Sobre os 5433 votantes exclusivamente de forma electrónica, houve quem tenha detectado algumas irregularidades [2], mas a determinação do resultado final da eleição no fundo dependia da VERIFICAÇÃO DO SENTIDO DE VOTO de mais de 85% dos votantes. QUE FOI IMPOSSIBILITADA! PELOS VENCEDORES!


Pergunto: É isto a Democracia no Sport Lisboa e Benfica?


Por não ter respostas (vindas de quem de direito) a estas questões, é importante que aconteça uma Assembleia Geral Extraordinária, que em primeira instância EVITE a repetição do que aconteceu no nosso Amado Clube. É por isso que subscrevo inteiramente o Requerimento [3] do Movimento Servir o Benfica, cuja recolha de assinaturas ainda decorre.


[1] http://em-defesa-do-benfica.blogspot.com/2020/11/38-245-38-103-38-102-ou-37-973.html

[2] https://tribunaexpresso.pt/benfica/2020-10-28-Eleicoes-Benfica-sistema-de-votacao-eletronicapermite-a-nao-socios-aceder-aos-boletins

[3] https://www.servirobenfica.pt/uploads/1/3/3/2/133248124/requerimentoag.pdf


Nota: O autor deste artigo não escreve segundo a aberração denominada «Acordo Ortográfico de 1990».


▶ Texto enviado pelo benfiquista Carlos Friaças, Sócio Efectivo Nº7130


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