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Há tempo

“O tempo perguntou ao tempo quanto tempo o tempo tem? O tempo respondeu ao tempo que o tempo tem tanto tempo quanto tempo o tempo tem.” O trava linguas é antigo, eventualmente, até mais do que o nosso clube e, contudo, parece que perdemos a capacidade de ouvir os ensinamentos mais básicos. Dir-me-ão que é uma brincadeira para crianças, só que até nos jogos mais inocentes e simples se pode aprender muito.

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Falta tempo, tanto tempo, até às eleições do nosso clube. Sei que parece que todo o tempo conta, mas não nos esqueçamos que já vamos com 20 anos de atraso e não são dias que vão fazer a diferença. Há urgência de mudar, claro, só que a prioridade deve ser discutir de uma forma informada e fundamentada e evitar feelings, crenças ou perceções. Isto é válido na política como no nosso clube. Se acham que não há ligação (não é correlaçõa) entre os dois mundos, podem já ficar por aqui. Quando comecei o Brinco do Baptista com o Aires e o Sérgio, questionaram-nos muito sobre a nossa insistência em juntar os dois mundos. “O futebol é só um jogo, deixem-se disso”, diziam-nos. Não concordámos na altura, hoje também não. Entre o futebol e a política há muita coisa em comum: umas que se podem aprender, outras que se devem evitar.


Pára o jogo. Pausa para respirar, beber água e ouvir as indicações do treinador — um daqueles bons, dos que sabe muito da jogo e conhece bem o mundo do futebol. Em voz alta e de forma assertiva remata sem deixar cair a bola: Jogadores, adeptos, voluntários, desconhecidos e indecisos, tirem o pé do acelerador, não se cansem. O campeonato ainda não começou. Isto são só jogos de preparação — não lhes chamem amigáveis, por favor. Claro que há equipas que levam mais tempo de treino, outras têm mais experiência, algumas história, outras dinheiro, algumas vivem nas sombras de ataques hediondos e, claro, temos aquelas que só vivem do sistema montado e da distribuição de privilégios — sabendo que o poder compra muitos soldados, mas pouca dignidade. Dito isto, nada está decidido. O campeonato só começa quando conhecermos todas as equipas e estudarmos todos as propostas e estratégias. Por isso, aproveitem os prazeres deste jogo que é Democracia e deixem-se de faltas desnecessárias. Quem for ao homem até pode não levar cartão, mas dificilmente ganha o jogo.


Fecho o livro das alegorias porque nem todos gostam de “ficção” e, por vezes, temos de ser mais diretos e concretos. Esperamos tanto tempo por este momento que parece que esquecemo-nos de como funciona a discussão de ideias e argumentos. Não é estranho ou anormal, aconteceu o mesmo no pós-25 de abril. A discussão e o debate dão trabalho e é necessária experiência de como fazê-lo, mais do que isso, exige algo que parece cada vez mais esquecido: ouvir e falar. Atenção, têm mesmo de ser servidos na mesma dose ou o prato sai estragado. Vivemos tantos anos sem debates e entrevistas verdadeiras, obcecados com uma narrativa de que atacar um homem/presidente era atacar o clube ou a sua história que perdemos a noção que ninguém se pode confundir com o clube, nem mesmo Cosme, Eusébio ou Chalana.


Há tempo, meus caros. Reitero: já esperamos tanto tempo que podemos esperar pelos programas e equipas para discutir o que é melhor para o clube. Não vão no canto da sereia de atacar tudo e todos que pensem diferente porque há sempre alguém que está calado e de tampões e passa à margem de tudo — e, quase sempre, é daí que vem o mal. Quando tivermos acesso às estratégias para comparar e discuti-las será possível ver que há projetos mais e menos preparados e que há pessoas mais e menos competentes para executá-los. Porque, mais do que tudo, o Sport Lisboa e Benfica precisa de exigência da nossa parte para escolher melhor e o melhor para o nosso futuro.

 
 
 

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