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Meu irmão sueco

O nosso antigo médio Jonas Thern faz hoje 52 anos. Gostaria por isso, de partilhar convosco algumas memórias do tempo, em que o sueco esteve em Lisboa.


No verão de 1989, começo um estágio na Câmara de Comércio Luso-Alemã em Lisboa e mudo por um maravilhoso ano, da Alemanha para Portugal. De facto, neste paraíso plantado à beira-mar, o sol brilha mais horas do que noutras paragens, as praias são inigualáveis, os comes e bebes deliciosos e - não menos importante - as Portuguesas são mais que charmosas. Tudo isto atraí e não apenas a mim.


Jonas Thern, um jovem sueco, chega também neste verão à capital portuguesa. O médio defensivo de 22 anos do Malmö FF, assina um contrato com o Benfica, onde será treinado nas próximas três temporadas pelo seu compatriota Sven-Göran Eriksson. Até 1992, Jonas Thern veste o Manto Sagrado numa centena de jogos oficiais e marca dez golos. No onze do Glorioso, o internacional sueco torna-se rapidamente um valor seguro. Em 1990, joga com o Benfica na final da Taça dos Campeões Europeus e vence no seguinte ano o Campeonato português.


Embora o sueco seja dois anos mais novo que eu, somos ambos loiros e com 1,82 metros de altura, temos exatamente a mesma estatura. Também as feições são bastante parecidas. Por esse motivo, sou confundido com alguma regularidade com o Jonas Thern, durante o meu ano em Lisboa.


Aos fins-de-semana, quando vou com amigos às discotecas na Avenida 24 de Julho, por certo, que um ao outro Benfiquista, frequentador do Kremlin ou do Plateau, se deverá perguntar, se realmente é necessário e oportuno, arriscar um pezinho de dança à noite, antes de um jogo. Mas felizmente, os portugueses são pessoas muito discretas. Ninguém fica chateado comigo, e apenas numa ocasião me pedem um autógrafo.


No entanto, e mesmo sem saber até hoje do perigo que correu, o sueco tem que estar muito agradecido, por nessa altura, os telemóveis ainda não existirem e nem sequer estarem providos de poderosas câmeras. Seguramente, que as fotos das minhas excursões noturnas, fariam as delícias dos tabloides da capital.


A minha suposta fama, me irá trazer alguns benefícios, nomeadamente num concerto do Rui Veloso no Campo Pequeno. Enquanto espero com minha futura mulher pacientemente pela abertura das portas de entrada, um policia „reconhece-me" e abre-nos o caminho através da multidão. Com um olhar cúmplice, o senhor policia dá-me umas palmadinhas no ombro, e entramos no recinto como primeiros, podendo assim procurar com calma um lugar agradável para sentar. Claro que, o homem tão atencioso só podia ser mesmo um Benfiquista.


Depois de três anos de sucesso no Benfica, o meu alter ego assina pelo Napoli, onde joga até 1994. Seguindo-se a AS Roma, onde Jonas Thern está nas fileiras durante três temporadas, antes de terminar a sua carreira em 1999 no Glasgow Rangers, depois de uma lesão. Entretanto, trabalha como professor na Suécia.


Muitos parabéns, Campeão!