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Mourinho e o paradoxo das segundas épocas: insistir ou virar a página?

▶ Texto enviado pelo benfiquista Santiago Ferreira


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NOTA: A opinião aqui transmitida é da inteira responsabilidade do seu autor e não representa, necessariamente, a opinião do Benfica Independente.


Na história do Sport Lisboa e Benfica, a paciência raramente foi recompensada. São poucos os treinadores que falharam o título na época de estreia e, ainda assim, receberam nova oportunidade para depois se sagrarem campeões.


A lista é curta — e quase esquecida. Ted Smith falhou em 1948/49, mas viria a conquistar o campeonato em 1950/51. Já Toni protagonizou um caso ainda mais curioso, dividido em duas passagens pelo clube: na primeira, falhou em 1987/88 antes de vencer em 1988/89; anos mais tarde, regressou, voltou a não ser campeão em 1992/93 e acabaria por conquistar o título em 1993/94.


Casos raros que mostram como a continuidade nem sempre é política do clube — e ainda menos uma garantia de sucesso.


É neste contexto que surge a dúvida: deve o Benfica manter José Mourinho caso o título escape esta temporada — cenário que, à data, parece praticamente inevitável?


A questão ganha outra dimensão quando se olha para o histórico do treinador. Mourinho construiu parte da sua carreira precisamente sobre reações fortes após épocas incompletas. No FC Porto, não conquistou o campeonato na sua primeira época, mas dominou em 2002/03. No Real Madrid, perdeu para o Barcelona antes de responder com um título recordista em 2011/12. E no Chelsea FC, após falhar em 2013/14, voltou ao topo na época seguinte.


O padrão existe — mas também levanta uma questão essencial: até que ponto a história individual de um treinador pode sobrepor-se à identidade e exigência de um clube como o Benfica?


Entre a exceção histórica e o perfil de Mourinho, abre-se um dilema. Manter pode significar acreditar numa reação à imagem do passado. Mudar pode ser seguir a tradição encarnada de pouca tolerância ao erro.


No fim, a estatística permite tudo — até justificar decisões opostas. O que ela não garante é o desfecho.  

 
 
 

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MCMIV

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