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Operação Alma Benfiquista

Não sei porque sou Benfiquista, se calhar nem estava destinado a ser.

Nunca tive referências nem influências nesse sentido (a minha mãe torce pela dupla Chaves/FCP) e o meu pai, gostando do Benfica, não liga muito e nem se importa que o Sporting ganhe. Nunca tive sequer um tio ou avô que me guiassem.

Nascido e criado junto ao antigo José de Alvalade, desde sempre fui "sequestrado" por amigos sportinguistas para passarmos incontáveis dias e horas nos corredores daquele estádio: assisti a treinos de todas as modalidades (incluindo kick-boxing com o Fernando Fernandes) e foi a afinar a pontaria numa baliza deserta que me cruzei pela primeira vez com o grande Paulinho.

Às vezes corria a noticia de que os seniores de futebol fariam treino aberto no Campo Grande e lá íamos nós ver os craques do Sporting. Lembro-me bem do corredor humano que os adeptos faziam à saída da porta 17(?) e do valente "caldo" que um amigo mais entusiasmado espetou no Figo. Se houvesse sorte, no final do treino e já depois de os jogadores recolherem, ainda conseguíamos bater uns quantos penalties antes que nos expulsassem do campo. No ano seguinte, recordo as muitas tardes passadas a ver o Juskowiak marcar golos mesmo à minha frente já que havia muitos jogos onde até aos 11 anos não pagávamos bilhete na bancada da Torcida Verde. Outros tempos.

Do Benfica é que nada!

Até essa altura, e voltando atrás no tempo, apenas por uma vez tinha ido ao Estádio do Sport Lisboa e Benfica. Foi no dia 12 de Abril de 1987, nem 5 anos tinha portanto, e não me consigo recordar quem me terá levado - algum familiar de visita a Lisboa seguramente. O adversário nessa tarde foi o Salgueiros (1-0 golo de Rui Águas) e a única recordação que tenho desse jogo é de estar sentado bem lá no alto (foi aí que senti vertigens pela primeira vez) em cima de cimento frio. Curiosamente o nosso GR nessa tarde, Silvino Louro, viria também a apadrinhar a minha estreia no Municipal de Chaves em 22 de Março de 1998 quando defendia as cores do...Salgueiros (0-0)! Ele há coisas...

A partir daí recordo-me de passar tardes em casa a gravar relatos inventados para um microfone. Cada jogada imaginada por mim era magistral e o "matador" era invariavelmente Magnusson. É o primeiro nome que associo à palavra ídolo, só mais tarde acompanhado pelo de JVP.

Um par de anos mais tarde comecei a jogar futebol de rua. Era avançado e marcava muitos golos e os vizinhos diziam à minha mãe que eu tinha de ir para uma escola de futebol. Um dia tive o seguinte diálogo com a minha mãe:

- Se quiseres podes ir treinar para o Sporting, que vais sozinho a pé.

- Mas, Mãe, eu quero ir para o Benfica!

- Benfica é longe para ires sozinho e eu não te posso acompanhar. É Sporting ou nada!

- Então é nada!

Peguei na minha bola e lá fui para a rua imaginar que era o sueco do Benfica.

Uns meses depois a minha mãe ainda fez uma derradeira tentativa e levou-me às escolinhas de verão do Humberto Coelho (não era o Benfica, mas já dava uns "ares"). O sr. Humberto - himself - veio receber-me à entrada e, ao ver aquela figura apertar a minha mão, aconteceu-me o mesmo que ao Rushfeldt. E assim continuei a ser o melhor marcador da minha rua.

Não foi até finais dos anos 90 que comecei a frequentar com mais