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Que Benfica queremos?

O Benfica vive nestes dias um forte período de turbulência que nos leva, enquanto benfiquistas, a uma profunda reflexão. Os sentimentos de tristeza, frustração e irritação são gerais e, por vezes, toldam-nos o pensamento. Apesar disso, vou tentar ao longo deste texto manter a racionalidade, apresentando argumentos para a situação vivida pelo nosso Benfica.


O Benfica atual caracteriza-se por uma forte pujança financeira que nos devia alegrar a todos, porque, pensávamos nós, esta se traduziria em equipas fortes que iriam cilindrar adversários cá dentro e honrar a história do Benfica lá fora. Que bom seria se os pensamentos bastassem… A verdade é que, sobretudo nas últimas três épocas, nada disto aconteceu.

Deste modo, para percebermos onde chegámos em 2020 é necessário recuarmos até 2015, onde Luís Filipe Vieira assumiu uma mudança da política desportiva. A máxima passou a ser “a aposta no Seixal” e esta confirmou-se pelo afastamento de Jorge Jesus e consequente contratação de Rui Vitória.


Após um Bicampeonato, a estrutura benfiquista decidiu efetuar esta mudança de paradigma e considerou que JJ não era o treinador com características para o fazer (pelos vistos em 2020 já o é?!). Esta mudança foi vista com apreensão por muitos (Como era possível afastar um treinador bicampeão, deixando-o escapar para o Sporting?), mas teve sucesso e de facto começámos a ver surgir joias do Seixal, como Renato, Guedes, Ederson, etc. enquanto continuámos a ter sucesso desportivo. Isto iludiu-nos durante algum tempo, uma vez que nos levou a pensar que só com os “putos as coisas vão lá”, esquecendo-nos de que estes “putos” tinham a seu lado jogadores experientes como Jonas, Luisão ou Júlio Cesar.


A presença nos quartos e oitavos da Champions nas duas primeiras épocas de R.V. legitimavam esta aposta total no Seixal e cegaram-nos ainda mais. Terminadas as 2 primeiras épocas de R.V era chegada a altura de atacar o inédito Penta. E quais foram as decisões da nossa estrutura? Vender, vender e vender. Infelizmente, numa época que se previa de ataque total ao campeonato, somos derrotados por um Porto já intervencionado e fazemos 0 pontos na Liga dos Campeões.

Tudo isto à custa das múltiplas saídas dos nossos craques sem a devida substituição, acreditando que os “putos” bastavam. Não me levem a mal, não tenho nada contra jovens não fosse eu um deles, mas é inacreditável como a estrutura benfiquista olhou, e continua a olhar, para o Seixal como uma fábrica de ovos mágicos de onde todos os anos têm que sair 5/6 jogadores com capacidade para se afirmarem na equipa principal tenham eles mais ou menos experiência, mais ou menos qualidade.


Terminada uma das épocas mais desastrosas dos últimos anos, onde só não terminámos em 3º lugar por mero percalço de um Sporting já em destruição, a direção decidiu manter o treinador, pois este era o treinador do “projeto”. Mais uma vez, ficou patente a falta de ambição e que o projeto europeu não era mais que uma ilusão criada. Que sentido fazia manter um treinador que fez 0 pontos na Champions, mas continuar a prometer mundos e fundos na Europa?

Enquanto tudo isto se desenrolava, o Benfica apresentava lucros consecutivos e toda a estrutura se vangloriava dos mesmos em entrevistas, enchendo-nos os ouvidos com as reduções do passivo, da dívida e em sentido inverso do aumento do investimento (pena que este aumento tenha sido sobretudo em infraestruturas e não em jogadores, pois ainda não chegou o dia em que uma pedra da calçada marcasse um golo…). De facto, todos devíamos estranhar porque é que nos últimos anos ouvimos mais vezes a estrutura falar em contas e não em futebol. Afinal, não é o Benfica um clube, cujo objetivo primordial é o fomento e a prática do futebol, como está dito no Art. 3º dos Estatutos do Clube (este ainda não foi mudado…)?


Não bastando o erro de manter o treinador após a péssima época, L.F.V decidiu sozinho (pergunto-me como é que de cada vez que é preciso decidir só existe uma voz, estarão os restantes a fazer figura de corpo presente?...) manter R.V após mais um desastre europeu, devido à célebre “luz”. Foi o