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Som Ambiente

Não é de mais insistir neste assunto. Aliás, é essencial fazê-lo. O problema não é de agora. Há dois ou três anos que o ambiente na Luz tem vindo a esmorecer. Foi dito neste espaço e é verdade: paira um nervosismos gritante nas bancadas do estádio. Não podemos fugir do assunto: já houve uma maior comunhão em volta das várias equipas que fazem parte do Benfica.


Quando o trabalho permite, lá estou eu, sentado no meu lugar, com amigos ou sozinho. Estou lá para ver o nosso Benfica. Estou lá para abraçar a equipa, independentemente do resultado final. Não minto quando digo que nunca assobiei os jogadores ou o treinador. Reclamo, claro, fico zangado e triste quando os objectivos não são alcançados, mas nunca assobiei a equipa. Eu estou lá para apoiar, mesmo que por vezes não o faça cantando. Gosto mais de um "vamos c$%&?!#" ou de um "pra cima deles". Prefiro um punho em riste e um sorriso na cara.


Na minha opinião, são dois os motivos para que o ambiente na Luz não seja o melhor.


Em primeiro lugar, e não me interpretem de forma errada, há uma necessidade extrema de ganhar. Essa necessidade é provocada pelo ambiente em torno do futebol português. Muitos dos adeptos, e isto acontece noutros clubes, querem que a equipa ganhe para depois irem para o trabalho e para as redes sociais atacar os rivais de forma pouco saudável. Ou seja, para esses o importante é serem eles a ganhar, não o clube. O que acontece? Cresce no estádio um nervosismo palpável. E claro que quem leva com isso são os jogadores, muitas vezes sem culpa, como verificámos nos dois últimos jogos em casa. É incompreensível que se assobie a equipa quando esta está a fazer um bom jogo e a ganhar. Não faz o mínimo sentido.

É imperativo que essa atitude mude e o clube deve ter um papel importante nessa mudança, principalmente o seu departamento de comunicação. Criar uma maior aproximação entre a equipa e os adeptos é essencial, assim como passar a ideia de que a maior necessidade que existe é o apoio à equipa. Se assim for, acreditem, as vitórias ficarão mais perto de acontecer.


Por último, é verdade que muitos dos presentes no estádio vão pelo espectáculo. Não discuto o seu benfiquismo, mas marcam presença pelo evento e não pela militância ou paixão. Mas estão no seu direito. Felizmente, vivemos num país livre. As redes sociais desempenham aqui um papel importante. O que se passa agora nos estádios de futebol é o que se passa há já alguns anos nos concertos. Quantas não são as pessoas que passam o tempo todo com o telemóvel no ar a captar algo que devia ficar captado antes na sua memória? No estádio passa-se um pouco isso. A plastificação do futebol, e não somente dos adeptos, é a maior inimiga da paixão e do 'ir à bola'.

Quanto às luzinhas, não me incomodam assim tanto. Até acho que dão um boneco giro. Incomodam-me muito mais os silêncios estranhos, os assobios inconvenientes, o afastamento das pessoas e, acima de tudo, a perda da verdadeira essência do futebol.

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