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Transferências de Florentino, Rúben Dias e Vinícius geram conclusões diferentes para os benfiquistas

Mesmo que tenha uma das histórias mais ricas do futebol europeu e mundial, o Sport Lisboa e Benfica, na conjuntura da mercantilização do esporte da bola nos pés, sempre está sujeito a perder jogadores de destaque para centros mais badalados, ainda que os clubes envolvidos sejam, historicamente, menos vitoriosos que o Maior de Portugal no continente. As negociações também apresentam detalhes, sejam eles vantajosos ou desvantajosos para o clube.


Nos últimos dias, três notícias movimentaram os bastidores do SLB, bem como fóruns de debates de benfiquistas dentro e fora de Portugal: as saídas do volante português Florentino Luís, do zagueiro português Rúben Dias e do atacante brasileiro Carlos Vinícius. Vamos analisar cada caso com as suas devidas particularidades.


Florentino Luís emprestado ao Mônaco por uma temporada

Das três saídas mencionadas, a mais compreensível, assim podemos dizer, é a do volante Florentino Luís. Na sexta-feira da semana passada (25/9), o Glorioso confirmou o empréstimo do jovem de 21 anos, no clube há 10 anos, ao Mônaco. O vínculo com os monegascos vale até o fim da temporada 2020-2021 e rendeu 2 milhões de euros (R$ 13 milhões) aos cofres do clube lisboeta. A agremiação do Principado de Mônaco não dispõe da opção de compra do jogador no contrato.


Campeão europeu sub-17 em 2016, no Azerbaijão, e sub-19 em 2018, na Finlândia, o cabeça-de-área, que tem ascendência angolana, faz parte de uma geração promissora da seleção portuguesa. Tem boa visão de jogo, bom condicionamento físico e também se destaca nas roubadas de bola.


Em entrevista coletiva, o técnico Jorge Jesus revelou que tentou convencer Florentino a permanecer no Benfica. Porém, a alta concorrência no elenco, onde Weigl, Samaris e Gabriel disputam a titularidade entre os volantes, a chance de mais minutos em campo e a oportunidade de ganhar mais experiência numa liga de maior prestígio – no caso, o campeonato francês – motivaram o miúdo a se lançar ao novo desafio. Desejamos-lhe uma excelente jornada na Ligue 1! E queremos que ele retorne à Luz para fazer história!


Rúben Dias em definitivo no Manchester City

Já no domingo (27/9), as Águias anunciaram a venda de outro prata-da-casa, Rúben Dias, para o Manchester City por 68 milhões de euros (R$ 449 milhões), com a possibilidade de mais 3,5 milhões de euros (R$ 99 milhões) em caso de cumprimento de metas. A transferência do miúdo, que assinou com os Citizens por seis temporadas, deixa uma enorme lacuna no plantel, tendo em vista o enorme potencial de liderança do atleta. Para além dos atributos técnicos, o defensor demonstrava não se abalar com os resultados atípicos, qualidade admirável para um profissional tão jovem.


Todo benfiquista sonha com um jogador formado no Seixal, identificado com a nação encarnada e com longa carreira de águia ao peito. Rúben Dias representava essa esperança. Cada desarme, cada carrinho, cada gol de cabeça e cada comemoração eram a materialização desse sonho da maior torcida de Portugal. Contudo, o zagueiro de 23 anos, que defendia o Benfica há 12, aprontou as malas para a Inglaterra. Ser treinado por Pep Guardiola em um clube que cresceu de patamar durante esta década é uma proposta irrecusável, devemos admitir. E, por mais que isto vá contra nossos desejos, é assim que o futebol funciona: a periferia da bola forma craques para os grandes centros da bola.


Por outro lado, acreditamos que a saída do campeão nacional de 2018-2019 é um "Até logo", não um "Adeus". E vamos torcer para que Otamendi, 32, contratado junto ao próprio Manchester City por 15 milhões de euros (R$ 97 milhões), cumpra com louvor o dever de ser o novo xerife da nossa zaga.


Alguém entendeu o empréstimo de Carlos Vinícius ao Tottenham?

Se a partida de Florentino Luís ao Principado de Mônaco foi aceitável e a ida de Rúben Dias à Terra da Rainha impôs um duro choque de realidade à torcida, a de Carlos Vinícius, que também se mudou para a Inglaterra, representou outro sentimento. Mais do que uma pulga atrás da orelha: indignação, mesmo.


Artilheiro da edição 2019-2020 da liga portuguesa com 18 gols, ao lado de Pizzi (Benfica) e Taremi (Rio Ave), e tendo como principais qualidades técnicas a presença de área e a movimentação, o atacante foi emprestado ao Tottenham, em negócio que rendeu 3 milhões de euros (R$ 19,8 milhões) aos Encarnados. Conforme informou o maior clube de Portugal na última quinta-feira (1/10), o contrato prevê opção de compra definitiva pelos Spurs no valor de 45 milhões de euros (R$ 285 milhões) ao final do ciclo 2020-2021, quando o vínculo de empréstimo se encerra.


Vamos retornar ao mês de junho. Na época, em entrevista à Benfica TV, o presidente Luís Filipe Vieira revelou que, em janeiro, recusou uma proposta de 60 milhões de euros (R$ 399 milhões) por Vinícius. E agora o mandatário permite o empréstimo do centroavante, autor de 23 gols e 13 assistências em toda a temporada 2019-2020, a um concorrente da Liga Europa (as equipes não estão no mesmo grupo, mas podem se enfrentar em um eventual mata-mata) por uma quantia muito menor, com opção de compra determinada em um valor também abaixo do que foi recusado no início deste ano?


Francamente, trata-se de um péssimo negócio capitaneado pelo dirigente que constantemente desrespeita e ataca a grandeza do Sport Lisboa e Benfica. Ao mesmo tempo, desejamos que o atacante seja muito feliz em seu novo desafio.


Outro detalhe: a quem caberá a responsabilidade de marcar golos? Dá para confiar em Seferovic, que anotou apenas nove gols na temporada passada, ou em Dyego Sousa, que ainda não balançou as redes pelo Glorioso? São muitas dúvidas...


Fotos: Getty Images, Patrícia de Melo Moreira/AFP/OneFootball/Getty Images e David Martins/SOPA Images/LightRocket/Getty Images

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