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Um sonho chamado Benfica.

No Benfiquismo como no que sobra da vida, deixamos frequentemente que o coração se refugie na segurança de um passado romantizado. Pior, ignorando as impossibilidades e os espinhos que até a mais bela das histórias tem, queremos, não raras vezes, que o futuro seja uma réplica desse passado. Não como ele foi, o que seria já de si utópico, mas como nós, sobretudo nós que não o vivemos, o imaginamos.


Este é um dos pecados capitais dos românticos: ignorar que o futuro pode ser melhor que o passado. E o Benfica, o nosso Benfica, pode ter um futuro ainda mais brilhante que o passado que nos ilumina o caminho. Assim nós o queiramos.


Para que se cumpra este Benfica, esta ideia de Benfica, é antes mais imperativo que os sócios que lhe são vida e alimento voltem a constituir-se como a essência do clube, o éter, a quintessência da instituição Sport Lisboa e Benfica. Porque, apesar do incómodo que possam causar a quem temporariamente tenha a honra de presidir ao Benfica, são eles o garante de suporte, diferenciação e identidade do clube.

Um Benfica de futuro, o avassalador Benfica do futuro, só tomará forma quando voar, qual águia, orgulhoso, mas humilde, catapultado pelo potencial que teima em desperdiçar. Sozinho na imensidão dos céus, circundado por infinitas possibilidades, seguro das suas qualidades e consciente das suas fraquezas, sem que de qualquer delas faça desculpa para desvios morais e identitários, com olhos fitos na vitória, sempre, em todas as modalidades.

Este Benfica não pode, em circunstância alguma, menosprezar os adversários e sucumbir à síndrome de novo-riquismo. O Benfica faz-se da força das suas gentes. O Benfica não se mede pelos outros, não se mede face a outros ou em resposta a outros. A medida do Benfica não é mais que a sua própria grandeza e a sua capacidade de atingir os objectivos desportivos a que se propõe, que nunca podem ser senão ganhar, ganhar sempre. E quando o não consegue, ter a hombridade de assumir responsabilidades próprias e corrigir, sem receios, tudo o que o possa ter impedido.

O caminho do Benfica do futuro rumo à vitória e à glória é mais sossegado do que poderia parecer: é o caminho da simplicidade de quem caminha sem amarras, sem medo, de peito aberto. Impulsionado pelos sócios e pela massa adepta mais fiel e apaixonada do mundo, o Benfica tem de se preocupar apenas com a vitória sustentável. E deve atingi-lo de forma que nada possa no futuro condicionar a sua ação desportiva, social ou institucional. O dia em que os representantes dos sócios do Benfica tenham de abdicar de defender o Benfica e de se preocupar apenas com a vitória é o dia em que a ideia de Benfica morre. Mas morre apenas a ideia, o Benfica é eterno. Que se mude então a ideia.

Não há Benfica vencedor sem um rumo. Recuso, por princípio, o conforto das frases feitas, mas nesta rara excepção, roubo a Séneca a ilustração perfeita do que vos quero dizer: quando se navega sem destino, nenhum vento é favorável. Quando se navega por interesse pessoal, quando se navega por resposta a estímulos externos e investimentos da concorrência, quando se navega sem atender ao mar e ao céu, quando se navega para um horizonte eleitoral, quando se navega para salvar o comandante...não é apenas o vento que não é favorável, o naufrágio é inevitável.

Mas o Benfica renova-se, o Benfica sobrevive até quando vai para lá do que achávamos ser o chão da moralidade e dos valores. O Benfica somos todos. Os que concordam, os que discordam, os que ainda nem encontraram os remos ou lado para onde remar. O Benfica é este navio gigantesco que segue sem rumo. Mas nós somos o mar. O Benfica do futuro pode ser a estrela mais brilhante do firmamento desportivo mundial. Só precisa que assim o queiramos. Só precisa que deixemos o passado no passado. Para o bem e para o mal. O Benfica só precisa que não tenhamos medo de ser felizes.


▶ Texto enviado pelo benfiquista Alexandre Quinteiro


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