leaderboard.gif

Whatever works ūüé¨

S/S Benfica 1998/99 Away (Edição europeia)


A campanha europeia do Benfica na época de 1998/99 acabou em Dezembro.

Come√ßou de forma empolgante com uma tareia ao Beitar de Jerusalem num dia quente de ver√£o da Expo 98, seguida de uma derrota em Israel que valeu um puxar de orelhas p√ļblico de Vale e Azevedo. A fase de grupos arrancou com uma derrota na Alemanha com o Kaiserslautern, uma vit√≥ria caseira com o PSV (com um golo sublime de JVP) e uma inqualific√°vel jornada dupla com o HSK (com derrota na Fil√Ęndia e um 2-2 vergonhoso em casa). A vit√≥ria em casa com o Kaiserslautern levou-nos a Eindhoven com o sonho de ainda passarmos, sonho esse que ruiu com um golo de Van Nistelroy aos 88 minutos (depois de estar a ganhar com bis de Nuno Gomes com esta camisola).

A história desta camisola acabam por ser duas que eu me esforçarei para contar de forma resumida, separado-as, de forma original em "História 1" e "História 2".


História 1:

Dezembro de 1998. Coimbra. 4ª matrícula na Faculdade. 2ª vez que tinha deixado crescer o cabelo.

Faltavam duas horas para o início da partida em Eindhoven e a ansiedade já não me deixava em paz.

Não me saía da cabeça o borreganço com os filandeses.

Deambulava na zona da Pra√ßa da Rep√ļblica, j√° tinha espreitado todos os CDs na discoteca do C.C. Golden e n√£o conseguia parar quieto. Ia ver o jogo no Restaurante Troica, isso estava decidido. Faltava decidir o que fazer nas duas horas que faltavam at√© ao jogo.

Ao lado do Troica havia um barbeiro. À antiga. O corte de cabelo custava 400 escudos se não estou em erro.

Entrei.

- "Pente 4 sff."

- "Tem a certeza?"

- "Tenho! Vou rapar o cabelo que tenho pelos ombros e o Benfica vai ganhar a Eindhoven"


Foi quase...

História 2:


Com a eliminação do Dinamo Zagreb e passagem à próxima eliminatória, avancei para a compra desta camisola que já estava há largos meses na wishlist do ebay, tendo em conta que não faria sentido repetir camisolas já usadas este ano e não tendo mais camisolas de versão europeia disponíveis.

Apercebi-me de forma tardia que esta viagem √† Alemanha traria menos impacto que o normal: o facto do jogo ser 5¬™ feira santa apenas consumiria meio dia de f√©rias e com as mi√ļdas de f√©rias em Castelo Branco, a log√≠stica familiar estaria bem mais simplificada.

Resultado: viagens mais caras. O habitual. Há uma citação do filme cable guy com Jim Carey que envolve hesitação mas não vou trazer para aqui...

Para combater o dano, resolvi apanhar o voo no Porto, fazendo escala em Lisboa, para partir para Frankfurt. E sim, ficava mais barato, já incluindo o preço do autocarro, da inevitável francesinha e dos danos morais inflingidos pelos colegas de viagem por, estupidamente, não querer ir de directa para a Alemanha.


O dia de jogo teve o ritual habitual quando se viaja: deixar rapidamente as tralhas no hotel e partir forte para o pr√©-jogo. Almo√ßo bem cal√≥rico e as primeiras canecas debaixo de um sol fabuloso e bot√Ķes de camisa marotos. O caminho para o est√°dio foi feito atrav√©s dos autocarros designados para o efeito, com partida no meeting point indicado. Bonita experi√™ncia de chegada ao recinto, onde foram viradas mais umas cervejas de forma firme e confiante.

A chegada ao est√°dio, depois de contornadas as vicissitudes dos bilhetes para sectores diferentes, encontrei uma grande companhia para o jogo e um grande ambiente no est√°dio. Foi abismal. Antes, durante e depois do jogo.

Foi o jogo em que mais cantei. Foi o √ļnico jogo em que fomos abafados.

Saí sem voz, sem as meias-finais mas com o coração cheio e com um enorme orgulho em perceber que consigo fazer parte do chamado "futebol positivo" que o Markus me referiu depois e me deixou boquiaberto mais uma vez.


Perdemos na Alemanha. Pela terceira vez comigo na bancada.

Desta vez n√£o foi tareia. Foi uma elimina√ß√£o de uma competi√ß√£o europeia com o mesmo n√ļmero de golos marcados e sofridos. S√£o as regras.

Com um golo em fora de jogo. Não são as regras mas é bem melhor que a porcaria do VAR.

No campo faltou um bocado de garra no início (e a pressão alta que o Lage nos habituou). Faltou Rafa ao jogo. E a bola do Salvio que bem podia ter ido para dentro.


Foi quase...

Sem arriscar muito por generaliza√ß√Ķes, a ideia que tenho do povo alem√£o √© ser frio mas respeitador. E mais uma vez, a experi√™ncia que tive na Alemanha foi essa: √† entrada do est√°dio, est√°vamos a beber cervejas normalmente no meio deles. Cada um na sua. A √ļnica abordagem que tive foi um rapaz, que pela sua tez n√£o deveria ser germ√Ęnico, que me disse:"Love your shirt. And with Joao Pinto on the back. Just perfect". E foi √† vida dele.


Não tenho pretensão nenhuma em influenciar ninguém nem contribuir para a eterna discussão do que é melhor ou pior. Mais do que procurarmos o melhor, gosto de pensar que devemos encontrar o que se adequa e encaixa melhor em nós. O chamado "Whatever Works".

Pegando na referência, o genial filme do genial Woody Allen com os não menos geniais Larry David e Evan Rachel Wood (mais ao nível da carinha laroca, confesso) tem uma tradução para português que, a meu ver, não é genial. Mas neste caso, encaixa perfeitamente: o futebol na alemanha "tem tudo para dar certo".


Para mim, a experiência de ver futebol na Alemanha é incomparável.

Por isso, sempre que o Benfica jogar lá, farei todos os possíveis para estar presente.


Whatever Works - https://www.imdb.com/title/tt1178663/?ref_=nv_sr_1?ref_=nv_sr_1


PS: Daqui a pouco mais de duas hora jogamos em casa com o Marítimo. Passem pela antevisão do jogo.

Para mim e até ao fim destes cinco jogos, a receita é simples: todos nus!

¬© 2020 Benfica Independente

Contacto:

  • Branco Facebook √ćcone
  • Branco Twitter √ćcone
  • Branca √≠cone do YouTube
  • Branca √ćcone Instagram