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AVB 2024



Aonde Vais Benfica?, pergunto-me. Sei que enches estádios em todas as terras, mas desvalorizas as Assembleias Gerais. Aplaudes o esforço físico, mas desprezas a inteligência. Deliras com as lágrimas de jogadores em amigáveis, mas menosprezas o sorriso sincero do miúdo da formação. 

Aonde Vais Benfica?, pergunto-me. Sei que o mundo de 2024 é bem diferente daquele em que cresci. Não falo de melhor ou pior, porque a perceção é uma malandra que insiste em enganar-nos, qual Tágide, mas sei que as regras do jogo mudaram. Atualmente, para estar à frente de um clube não basta o amor, precisas de dominar áreas tão distintas como gestão, comunicação ou marketing. Como não acredito em deuses — nem mesmo aqueles que dominam a bola com um pé e rematam com o outro — sei que ninguém sabe tudo, mas pode escolher as pessoas certas. E andamos a falhar nisso há demasiado tempo.

Aonde Vais Benfica?, pergunto-me. Sei que não precisamos de uma empresa de recursos humanos paga a peso de ouro para selecionar o próximo secretário, adjunto ou estagiário, basta ter critério. Não temos de empurrar todo o antigo jogador — incómodo ou falsamente isento — para uma (não) posição no clube para pagar um favor, basta ter bom senso. Não queremos que nos distraiam com floreados comerciais, basta serem verdadeiros. Não sabemos escolher presidentes, basta... bom, esta não tem resposta. Mas também não me surpreende que quem passa a vida a atirar os problemas pela sanita, acaba com os canos cheios de dejetos.

Aonde Vais Benfica?, pergunto-me. Sei que não é de bom tom olhar pela janela para a casa alheia, mas custa não fazê-lo neste momento. Confesso que não sei o tamanho da outra casa, quantas assoalhadas tem, quantas pessoas vivem nela, nem qual o empréstimo que pagam. Mais do que isso, não gostaria de lá viver porque não há casa como a minha, mas sei que uma remodelação de vez em quando só faz bem. E uma casa com 42 anos dava vários problemas e tinha muitos gastos. Dir-me-ão que aquela casa estava cheia de boas memórias. Acredito. E dói-me que as pessoas que habitam a minha casa se tenham esquecido de que uma festa não faz a Primavera. Foram poucas as festas para tanta gratidão. Mais do que isso, foram anos de festas cheias de marisco e espumante, quando a nossa velha casa fez-se de de comida popular e do incorruptível conceito de partilha. Tudo isto magoa, mas talvez esteja melhor amanhã.

O meu problema são os mas, meus caros. Este texto tem onze "mas", e eu tenho a certeza de que todos eles são reflexo do problema que nos afeta: há sempre uma desculpa, justificação ou explicação para a reação que não temos. Precisamos de fazer algo, Sport Lisboa e Benfica. Pior do que eu não saber aonde vais, é tanta gente na tua estrutura não saber para aonde ir sem olhar para a margem e isso hoje já não é suficiente. Falamos em junho?

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