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Obrigado, Pai, por me teres feito Benfiquista

▶ Texto enviado pelo benfiquista Paulo Cerdeira


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NOTA: A opinião aqui transmitida é da inteira responsabilidade do seu autor e não representa, necessariamente, a opinião do Benfica Independente.



Para ser honesto, não me lembro do dia em que decidi ser do Benfica; acho que já nasci com essa vontade. Mas, se houve alguém que teve influência nisso, foi o meu 'velhote' (expressão de carinho).


Quem conheceu o Sr. Tó sabe que ele era pouco expressivo e pouco dado a manifestações emocionais, ao contrário de mim, que sempre fui um abrasado do caraças, especialmente no que toca ao Benfica. Muitos dos nossos momentos de afeto foram vividos à custa do clube.


No tempo em que os jogos eram todos à mesma hora e não passavam na TV, recordo-me dos domingos à tarde numa sala D. Pedro V às escuras, entre refeições. Ele enfiado no escritório, naquela que foi a primeira cabine de som da discoteca, e eu do lado de fora, mesmo logo à porta, a partilharmos o relato. O Sr. Tó com a sua calma característica e eu maluco de ansiedade porque o Benfica nunca mais marcava (ao final de 5 minutos de jogo já assim estava). Quando o golo surgia, era o descanso; naquele tempo, tínhamos um 'Deus' na baliza: o Sr. Manuel Bento.


Lembro-me também, como se fosse hoje, dos famosos 0-2 nas Antas com o bis do César Brito. Teria uns 12 ou 13 anos, sentados num Renault 5 já 'chaveco', na antiga Praça D. Pedro V de terra batida, com as imponentes tileiras como testemunhas de me ver vibrar maluco a cada golo, enquanto o Sr. Tó se mantinha tranquilo, mas a fervilhar por dentro, bem ao seu estilo.


Nem tudo foram vitórias. A primeira lágrima que verti pelo Benfica foi quando o Veloso falhou o penálti. Era mais miúdo, estávamos numa sala do D. Pedro V quase reservada para quem via o jogo. Eu chamava nomes a tudo e a todos sempre que um jogador ficava sem bota a caminho da baliza. No final, de olhos ensanguentados e a lutar contra o choro, o Sr. Tó passou-me a mão pelos ombros, consolando-me à sua maneira. Talvez estivesse mais triste do que eu, mas era o jeito dele.

Curioso que foi por causa deste jogo, no dia a seguir, que levou a que anos mais tarde me torna-se sócio. Percebi que a forma de lutar pelo clube que idealizo era essa, mas isso fica para outra história.


Para quem não conhece o contexto: tudo isto foi vivido a mais de 200 km do estádio. Ir à bancada era uma ilusão, mas vivia-se um Benfiquismo puro e sincero, algo que sinto cada vez mais distante e o Benfica era o pretexto de afeto entre pai e filho.


Por isso, sim: obrigado, Pai, por me teres trazido ao mundo e por me teres feito Benfiquista.

 
 
 

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