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Queremos um Clube de gins nos camarotes ou de cânticos e paixão na bancada?

Disclaimer inicial, se achas que o mais importante do Benfica não são os seus adeptos, em particular os Sócios, podes parar de ler.


Escrevo o texto na madrugada após o Clássico de 7 de abril de 2023. Ponderei muito se o devia escrever e enviar. Cabeça quente e coração magoado. Tristeza e desilusão dentro e fora de campo. Escrevo apenas porque é a minha forma de deixar para trás um dia feio na Luz.


Findo mais um Clássico na Luz, o sentimento é semelhante ao do Derby. Pior, face à diferença dos resultados. Face ao Maior Rival, assim como já havia sido frente ao Rival Eterno, o Estádio da Luz de Inferno nada teve. Melhor, teve umas chamas a aparecer nos ecrãs LED. Apenas e só.


Vamos contextualizar com todas as letras. Dia 7 de abril, jogo em casa frente ao Maior Rival, numa época de grande futebol e apenas 1 derrota até à data.

Sobranceria das bancadas? Poderia dizer isso se já tivesse sentido o Inferno na Luz durante a época.


Melhores adeptos do Mundo? Em potencial sim. Na prática? Deixo à consideração de cada um.


Esquecemo-nos das dificuldades que é ser Benfiquista no Norte ou longe de Portugal?

Esquecemo-nos os que os nossos Heróis sofreram nas Antas? O que passavam só para ir lá ver um jogo? Sim, estou a falar dos nossos adeptos, esses Heróis que muitos anos até com equipas miseráveis estavam lá sempre. É assim que honramos esses Ases que nos honraram o Passado? Deixar o Maior Rival fazer da nossa Casa um Salão de Festas?


Sim, não referi ainda uma única vez jogadores. Jogadores são profissionais que contratamos para nos representar em campo. Hoje não ficaram nada bem na fotografia, nós também não.

Nós temos a responsabilidade de sermos nós mesmos, ou pelo menos aquilo que deveríamos ser fora do campo.



Queremos ser o Clube dos gins nos camarotes, das selfies, do evento social? Se sim, assuma-se. E diga-se que estamos a caminhar bem para isso.


Sem me querer alongar demasiado, deixo o meu pensamento de muitos anos a esta parte, dirigido aos Sócios porque hoje, como sempre, o Estádio é cheio essencialmente pelos Sócios.


Ser Sócio do Benfica não é, não pode ser nem nunca deve (ou devia) ser banalizado, como alguém que faz uma qualquer assinatura de um jornal ou de um serviço de streaming.

Ser Sócio do Benfica tem de ser acima de tudo um privilégio e uma responsabilidade.


Privilégio e responsabilidade de podermos seguir as pisadas dos Fundadores, as pisadas de tantos e tantas que no nosso Passado tanto pelo Clube fizeram. Pasme-se, iam trabalhar de borla no Estádio Antigo enquanto que no Novo levantar-se e cantar para apoiar a equipa dá demasiado trabalho.


Privilégio e responsabilidade do Clube ser nosso. Ainda ser nosso.


Talvez para muitos isso seja pouco relevante. Afinal, para se puder ver um espetáculo a uma terça feira às 20h 60000 bilhetes são poucos e a bilhética é horrível, mas para AGs às 21h de sexta feira aparecem 400 a 500 pessoas.


Podem-me chamar romântico. Podem-me chamar de ultrapassado pelo tempo. Aceito que o façam. Mas no momento em que aceitar que estou errado no meu pensamento, o Benfica para mim deixa de fazer sentido.


Dito tudo isto, espero ganhar amanhã, e domingo e na terça, ganhar nos pavilhões, piscinas, pistas e campos deste País e dar aquilo de mim que posso dar na condição simples de Sócio completamente anónimo. É assim que o Benfica continua a fazer sentido para mim.


Rematando, no texto que publiquei após o Derby, perguntava-me se o Inferno da Luz era um desejo meu (e de muitos outros, tenho por certo) ou se já tinha passado a ser um Mito.

Continuo sem resposta. Mas começo-me a inclinar para uma delas.


▶ Texto enviado pelo benfiquista João Santos


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NOTA: A opinião aqui transmitida é da inteira responsabilidade do seu autor e não representa, necessariamente, a opinião do Benfica Independente.

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