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Valores ou valor€s à Benfica!

Atualizado: 20 de Jul de 2020

Escrevo este texto não devido à atual crise desportiva em que se encontra clube (sim é um clube desportivo!), mas por algo que tenho sentido ao longo dos últimos largos anos. Uma crise bem maior: a crise dos valores que aprendi a amar e identificar na paixão da minha vida chamada Sport Lisboa e Benfica. Pior que perdemos muitos jogos é ver, de há vários anos a esta parte, o nosso Benfica a perder identidade, mística, espírito de conquista e postura de equipa grande. Em suma, Benfiquismo puro e duro.

Nas conversas com os meus amigos “doentes” pelo Glorioso surge sempre aquela questão de como e porque somos do Melhor Clube do Mundo. O que nos identificou neste clube que nos leva a pensar em tudo o que é Benfica semana após semana, dia após dia, minuto após minuto.

A dimensão planetária do Benfica é algo pelo qual cedo me apaixonei. Ir a qualquer terra de Portugal e sentir o Benfiquismo e, principalmente, visitar qualquer país no Mundo e saber que em qualquer canto posso encontrar um Benfiquista sempre pronto a mostrar a sua paixão encarnada. Imagens de um Tour com o Manto Sagrado. Um treino na Suíça com 10000 adeptos. É orgulho! E isso deve-se a quê? Ao respeito que o SL Benfica conquistou na Europa e no Mundo com aquela fabulosa década de 60 liderada pelo King - e não só -, mas também pelos feitos que fomos tendo em 70 e até final da década de 80. Como é hoje visto o Benfica na Europa? Cada vez mais pequenino e até muitas vezes motivo do gozo devido à fraca ambição demonstrada época após época. Os jovens como eu tendem a perder o brilho de jogar nos maiores campos da Europa, de erguer bem alto a nossa bandeira e disputar a partida taco a taco com as melhores equipas do mundo. É muito triste. Aquela noite antes da maldita final da Liga Europa contra, na altura, o campeão da europa Chelsea é dos momentos mágicos da minha vida. Aquela alegria dos Benfiquistas numa final europeia não tem preço. Aquilo é vida. É aquilo que temos vindo a perder. Onde anda a dimensão mundial do Glorioso?


E onde está o espírito sofredor do povo do Benfica? Aprendi com familiares e amigos que partilham a doença que o nosso Benfica é aquela religião sempre presente no nosso coração. Temos que fazer tudo por ela. Seja ajudar a construir um estádio, seja a gritar um Viva ao Benfica quando estamos mesmo no fundo ou até mesmo sacrificar a família porque temos de estar presentes numa Assembleia Geral pois o futuro do Benfica passa por nós. Por incrível que pareça, sentia mais Benfiquismo, mais dedicação e mais espírito de luta pelo nosso ideal no nosso Vietname do que hoje em dia. Bem sei que a sociedade mudou e muita coisa se alterou mas – porra! - é o nosso Benfica que está em jogo. Aquilo que nos faz rir, chorar, acordar bem ou mal dispostos. O nosso avô, pai ou filho. O nosso amor. Falta muito Benfica ao Benfica.


Cresci com as minhas influências a explicarem que o SL Benfica já era democrático na ditadura e que era nas Assembleias Gerais, “tascas”, cafés e em qualquer local onde havia Benfiquistas a debater que o clube ficava melhor. A troca de ideias era o melhor Marketing do clube. Hoje assistimos a uma empresa com estatutos ditatoriais (culpa dos sócios), que tem o culto doentio ao líder como seu desígnio, a dizer “à boca cheia” que, agora sim, temos o foco na questão desportiva. Mas o que é isto? Agora um clube como o meu Benfica precisa de apregoar que o seu objectivo é desportivo? Isto revolta-me. Deixa-me louco! É o Benfica a “morrer”. Não podemos permitir isto. Uma derrota no Benfica é um desespero, seja contra quem for. No Benfica, ser Campeão tem que ser natural. No Benfica é para Ganhar sempre. Acabemos com pensamentos que me deixam triste, como o “não se pode ganhar sempre”. A cor da nossa camisola é vermelha, não é verde. Chega disto!