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A reunião que mudou o destino do Benfica

Nas últimas horas, o mundo benfiquista foi abalado por uma notícia ainda mais chocante do que as contratações de Nelo e Tavares no verão de 1994. Algo pior do que um aumento dos redpasses, uma terrível campanha da Champions, ou alguém ver uma luz e voltar atrás numa decisão, o que está a chocar os benfiquistas da internet é um encontro entre elementos do Sport Lisboa e Benfica e alguns sócios.


A 7 de junho teve lugar a última Assembleia Geral Ordinária. Indo ao site do clube verificamos que «O ponto único da reunião magna benfiquista foi apreciado e votado por 634 Sócios (correspondente a 15 009 votos), tendo o mesmo merecido 13 131 votos a favor (87,49%) e 946 contra (6,30%). A abstenção cifrou-se em 932 votos (6,21%).» Destaco seguinte: 634 sócios. Estiveram presentes 634 sócios naquela sexta-feira à noite. Não estava frio, não estava calor, não chovia, mas era fim de semana prologando e isso complica sempre alguma coisa. #prioridades (como se diz na internet)


Nessa noite, há um mês, ouvi a apresentação do orçamento, votei e depois decidi que iria falar. A ideia estava na minha cabeça há umas horas e só faltava saber se teria coragem e força para discursar. Devia ser quase meia-noite quando falei. O tempo foi pouco, é sempre pouco, e, sobretudo, parece ainda menos. São pouco mais de dois minutos mas acho que tudo o que tinha para dizer passou, que chegou aos consócios. Aos 634 sócios que estavam ali. E depois a mais uns quantos que leram isto: De muitos, um A ideia sempre foi muito clara: vivemos um tempo de ditadores de sofá agarrados a um telemóvel, computador ou tablet, e dirigir um clube como o nosso é extraordinariamente complexo. Liderar a parte empresarial de uma marca como o Benfica é um verdadeiro quebra-cabeças e, neste mundo, nada é o que parece. Talvez seja por isso, que não quero um Benfica-empresa, que não gosto deste futebol moderno, mas que ao mesmo tempo não consigo deixar de sofrer por aquelas camisolas berrantes.


No final da Assembleia, todos os que falaram nessa noite foram convidados a ir ao Seixal expor com mais tempo e pormenor o que havia sido dito. Parecia um convite inesperado e pouco realista mas teve mesmo um resultado prático, houve mesmo reunião. Ou seja, a SAD e alguns elementos do clube acharam que seria importante mostrar uma abertura para com os sócios. Alguns dirão que há um interesse maquiavélico por detrás, que pretendem calar os contestatários, que pretendem passar a cartilha, que pretendem fazer uma operação de charme. Honestamente, acho que é um pouco de tudo. E não vejo mal algum nisso porque sinto que uma atitude de abertura aos sócios será sempre positiva. Também porque me sinto confiante em mim mesmo e sei que nada mudou na minha forma de analisar o clube e quais as minhas ideias para o futuro do mesmo. A principal mudança é que agora tive acesso a mais alguma informação e que posso passá-la de forma responsável a alguns amigos e colegas que vivem o clube da mesma forma.


Não sou o Cavaco Silva, não tive acesso a nenhuma informação privilegiada que me fará enriquecer com compra e venda de ações nos próximos tempos. Apenas ouvi pessoas do clube, de diferentes áreas empresariais e desportivas, a explicarem o que está «na parte escondida do iceberg». E ouvir o que os outros dizem é o mais importante. Ouvir mais, falar menos. Tentar compreender o que nos dizem, observar atitudes e gestos repetidos para compreender a razão e a lógica das pessoas ou das empresas. Na noite de 7 de junho disse que «O Benfica é feito por nós aqui, na Assembleia. E é feito no estádio da Luz, nos outros estádios, nas roulottes, nas viagens, na casa dos avós, dos primos e dos tios, ou no jogo de bola na nossa rua (…) O Benfica é uno e é múltiplo, é singular e é diversidade, é liberdade de expressão e de que questionar. Nunca se esqueçam, o Benfica é nosso e faz-se de todos. Da opinião de todos.» E tudo isso se mantém, mais do que isso, tudo o que disse na altura faz ainda mais sentido atendendo ao que se passou nas últimas horas.


Nas últimas horas, discutiu-se em fóruns e no Twitter qual a razão para termos ido, quem somos nós, foi dito que nos tornámos «elementos da Mossad», foi adulterada informação sobre a reunião, foi posta em causa a integridade de desconhecidos. A internet é um local bizarro, é mesmo, todos opinam e quase sempre todos opinam sobre os motivos errados. Vivemos numa era de velocidade e de opiniões, o resultado é quase sempre lastimável. Não me interessa se eu fui usado, ou se ganhei street credit com a reunião, o que ganhei foi conhecimento sobre o clube e isso aconteceu apenas e só por um motivo: o clube decidiu premiar quem falou na última Assembleia Geral. É fundamental compreender isto: o clube tem mais de 230 mil sócios, desses só 634 saíram de casa naquela noite, destes nem 20 foram falar. É isto que nos torna diferentes, não uso especiais, uso apenas diferentes. Fomos dar uma opinião, lamentar-nos, apresentar propostas ou, simplesmente, dar valor a um direito que temos num clube democrático como o Benfica: falar. Dar uma opinião no local mais importante do clube. A Assembleia Geral é o órgão social mais importante de um clube, vide Sporting, e é importante que todos percebam isso. É na AG que se faz Benfica, é lá que se evita que se alterem estatutos ou se comprometa o futuro, não é na internet. Nas últimas horas houve tanta gente a medir pilas alheias que se esqueceram de ver se ainda têm algo no meio das pernas. Mostrem-se valentes e participem (democraticamente) na vida benfiquista.


E pluribus unum.

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